Entre nós nunca foram precisos floreados para falar do que quer que fosse. Nunca foi preciso perguntar se podíamos, se devíamos, se nos importávamos. Fazíamos e pronto. O nosso lema sempre foi esse. Fazer o que realmente queríamos apenas tendo como elo de ligação as coisas que nos unem e que intensificam a nossa amizade. Nunca duvidámos dos sonhos, das desilusões, das vitórias... de nós! Éramos a personificação do «se tu vais, eu também vou». E funcionámos assim durante muitos anos.
Agora, quase que perguntamos se podemos, se devemos, se nos importamos. Algo mudou. E eu não me sinto bem por isso. Não. Não quero ir por aí, porque da última vez que o fizeram, não acabou bem. E sabes do que falo. Melhor que ninguém, aliás. E isso não poderá ser posto em causa porque ambos sabemos que me lês de uma forma que mais ninguém o faz. O mesmo posso dizer de mim. O mais importante e o que mais prezo é que não importa o que acontecer, por ti sentirei sempre orgulho, carinho e amizade. Como sempre senti. Que ninguém menospreze isso. Ninguém! Nem mesmo tu. Nem mesmo na altura em que demos uns bolachões nas trombas para acordarmos para a vida. Nem quando ficámos imenso tempo sem sabermos um do outro. Nem quando batemos com a cabeça e deixámos ir o que mais queríamos que ficasse. Nem isso foi suficientemente forte para deitar abaixo o que já construímos.
De certo não será isto que fará a diferença. Nada, repito, nada muda o que um dia conquistaste.
E isso é tudo o que importa para mim.