Na semana passada, a minha professora de Português deu-nos a tarefa de realizarmos um texto argumentativo cujo tema deveria incidir sobre algo polémico. ''Óptimo'' - pensei. Fiquei radiante porque há muito tempo que não tocava neste tipo de texto e apetecia-me mudar um pouco de género e, consequentemente de "público".
Mas, este trabalho e pesquisa e risca para aqui, risca para acolá valeu-me um mísero Bom, que em termos de números corresponde a um mero 17/ 17,5.
Ora, muito bem. Senti-me frustrada porque achava que o texto estava em muito boas condições e que cumpria todos os objectivos propostos pela professora. Além do mais acho que cumpro todas as regras e objectivos do texto argumentativo. Posso estar a ser muito perfeccionista mas fiquei mesmo numa de "Porra! Esforcei-me para ter esta nota de merda"
Aqui têm o texto:
Mas, este trabalho e pesquisa e risca para aqui, risca para acolá valeu-me um mísero Bom, que em termos de números corresponde a um mero 17/ 17,5.
Ora, muito bem. Senti-me frustrada porque achava que o texto estava em muito boas condições e que cumpria todos os objectivos propostos pela professora. Além do mais acho que cumpro todas as regras e objectivos do texto argumentativo. Posso estar a ser muito perfeccionista mas fiquei mesmo numa de "Porra! Esforcei-me para ter esta nota de merda"
Aqui têm o texto:
Deixar morrer é o mesmo que matar?
O que é a vida? O que é a morte? Quem é o ser humano? Provavelmente, muitos de nós sorririam e recusar-se-iam a responder a estas interrogações um tanto ou quanto retóricas. Retóricas porquê? Porque, de certo, o locutor não estaria à espera de respostas. Saberia (in)conscientemente que a maioria das pessoas acharias as questões deveras estranhas.
Mas, "vida", "morte" e "ser humano" são as palavras-chave para a compreensão desta "morte sem dor" como lhe costumam chamar.
A eutanásia é, de facto, o procedimento que antecipa a morte de um doente incurável, para lhe evitar o prolongamento do sofrimento e da dor.
No entanto, será a eutanásia moralmente aceitável? A maioria das pessoas poderá dizer que sim porque é a melhor forma de pôr um ponto final a este problema (aparentemente) sem solução. Mas, talvez essa resposta seja pronunciada sem qualquer sentimento, de ânimo leve, sem pensar nas consequências que isso traria.
Vejamos o lado dos médicos. Geralmente, estes discípulos da ciência do corpo humano estão em unânime, isto é, acham que nenhum ser humano deve ser "obrigado" a sofrer, uma vez que a doença que levou o significado da palavra "vida" por completo - sem dó nem piedade-, faz com que este não viva nem sequer sobreviva. Faz com que este sofra! Há ainda aqueles que apoiam a tese de que a eutanásia não é uma forma de ter uma "morte digna".
Ora, "Morte com dignidade" deve ser o slogan que mais vezes nos aparece à frente e que nos faz pôr a massa cinzenta a funcionar. Mas por que é que insistem nesta questão da dignidade, quando nos deparamos com exemplos como este, que fala do caso de Jack Kevorkian - cujo epíteto é "Doutor da Morte"? Kevorkian é o mais conhecido activista e praticante da eutanásia na América. Muitos desgraçados - como eu lhes chamo -, foram gaseados até à morte com monóxido de carbono e alguns dos seus corpos foram deixados em carros abandonados como se de tralhas ou antiguidades se tratassem. E agora eu pergunto: São estes actos dignos? Penso que não. Qual é a dignidade de um ser humano que, apesar de inválido ou (in)consciente se depara com a morte e não tem o simples poder de decisão? Qual é a dignidade ou, quiçá, a consciência de quem aceita, despido de preconceitos, esta questão tão delicada que acaba com a vida de um ser humano? Um ser humano possivelmente feliz, humilde e até saudável! Tão saudável até o dia em que a doença lhe bate à porta e lhe sussurra "preciso de ti", não deixando margens para decisões.
Vendo, agora, o lado daqueles que são vítimas de doenças em estado terminal, que são os que mais sofrem com todas estas (in)decisões, e tendo como plano de fundo o estudo realizado pela Universidade de Medicina do Porto, anunciado no Jornal de Notícias (por Artur Machado), 50% dos idosos aceitam de braços abertos a eutanásia. E porquê? Talvez porque têm medo de sofrer. Talvez porque muitos deles não querem ser fardos para a família nas alturas em que de si, já nada podem dar.
Então o que fazer?
Em suma, defendo que nenhum Homem tem o direito de roubar a vida a um outro. No entanto, esta decisão depende da vontade, dos casos e da consciência de cada um.
E então? Estará assim tão mau que nem dá para um 18 ou um 19?! Ou estarei a ser demasiado ambiciosa?
Para além do mais, tive que ouvir a opinião (que respeito e compreendo) de ''O que se passa? Por que é que não tiveste 19?''
Isso também queria eu saber!









