Não é meu hábito estudar num café, mas hoje foi isso mesmo que fiz durante cerca de uma hora e meia. Entretida com o modernismo português, com o crash de Nova Iorque e com o detestável Adolf Hitler, acompanhada por, única e exclusivamente, uma garrafa de água luso paro de escrever pois um senhor com os seus 60 anos, que ia a descer a rua onde eu estava sentada no café, pára e despe com os olhos o que eu estava a fazer. Como me senti observada, parei por momentos os meus resumos e olho para o senhor.
- Desculpe, não a queria assustar, mas só parei para ver a sua caligrafia
- Ah, não assustou, não se preocupe - não sabia o que dizer perante tal afirmação...
- Posso? - diz-me, enquanto levanta a folha que eu estava a tatuar e começa a ler
- Claro... - que haveria eu de dizer?!
- Tem uma caligrafia muito bonita. Hoje em dia não é muito comum encontrar letras bem feitinhas e olhe, uma vez fui com a minha médica e disse-lhe "Parabéns senhora doutora, é a única médica que conheço que tem uma letra legível". Sabe o que é menina, é que hoje em dia mesmo quando vamos à farmácia, os homens ficam aflitos e pedem ajuda uns aos outros porque não conseguem entender o que o médico escreveu...
- Pois, isso é verdade, é raro perceber letra de médico...
- Acredite que sim, mas a sua é pequenina e bonita, continue!
- Obrigada - esboçando sorrisos e sem saber muito mais o que dizer
- Ora essa, parei mesmo para dar uma olhadela à sua caligrafia, mas agora não a interrompo mais. Boa tarde!
- Tudo bem, boa tarde, obrigada!
Passado um segundo...
- Ah, não se esqueça, fique sempre nos grandes, nos melhores, porque os melhores fazem bem uma vez e os piores fazem tudo torto uma, duas, três... muitas vezes! Não se esqueça, fique sempre nos grandes!
- Obrigada e vou fazer por isso!
- Faça faça menina, é sempre a subir! Adeus, boa tarde, foi um prazer!
- Boa tarde, obrigada igualmente
Após esta conversa, comecei a sorrir e a pensar como é engraçado alguém vir falar connosco como se nos conhecesse há tanto tempo, e no fim de tudo dar-nos conselhos e alertar-nos para estarmos sempre no topo... depois disto, acho que até me deu mais gozo continuar a estudar...
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Hoje, ao ir buscar o meu primo de 8 anos ao ténis...
Chego ao Clube e sento-me, esperando que a aula acabe e quando acaba lá vem o ''campeão'' feliz da vida e dá-me um grande abraço
- A que se deve este carinho todo?
- Nada, apeteceu-me
OHHHH que mimooo!!
- Chico, o que é que tens no lábio?
- Ah nada, foi que me magoei à pouco - responde visivelmente atrapalhado...
Estamos a sair do Clube de ténis quando por entre tanta criança, reparo que o meu primo olha para uma rapariguinha que deve ter a idade dele e ficam a olhar um para o outro durante algum tempo e eu sempre...
- Chico, mexe-te, vamos!
E sem obter resposta. Até que reparo bem no que se está a passar à minha frente...
Não é que vejo nada mais nada menos do que um cenário ''romântico''? A miúda olha para ele e sorri, ele olha para ela e baba-se e começo a juntar a minha pergunta, com a resposta dada muito timidamente mais a troca de olhares (talvez a fazer muitos filmes) e foi preciso eu chegar ao pé dele e dizer...
- Aaaaaaahhhh estou a ver a cena toda... mas despede-te lá que temos que ir embora!
Muito embaraçada, a miúda olha para mim e sorri e depois desaparece, e o meu primo sai-se com...
- Não digas nada à mamã, por favor por favor por favor!
- (risos) está descansado, fica o nosso segredo...
Olha que por esta eu não esperava... Um puto com 8 anos vidrado que nem adolescente... Claro que são aqueles namoricos de crianças, mas achei engraçado termos um segredo que, segundo ele, "ninguém pode saber, nem a mana!!!" e o mais giro foi eu dizer como se de uma pessoa da minha idade se tratasse "está descansado, confia em mim puto!"