sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

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«Boa noite, boneca!»

Dos tempos de infância não guardo imagens muito precisas e detalhadas, mas sim pinturas a óleo um pouco para o abstracto, sendo que algumas parecem banda desenhada com todos os balõezinhos com as respectivas falas, que ainda sei de cor e salteado. Não é fácil me lembrar de algumas caras, principalmente daquelas que não me eram tão familiares provavelmente devido à futilidade (?) que lhes atribuía. Contudo não esqueço vozes. Muito menos esqueço locais. Lembro-me perfeitamente da sala de jantar da casa da avó. Impossível não me lembrar. Pequenina e acolhedora, talvez um pouco antiquada e com quadros nas paredes com fotografias que retratavam tempos idos, felizes ou não, fantochada ou não, mas que qualquer das formas tinham que transmitir a ideia que mais reinava naquela casa (ou era essa a ideia que os avós nos queriam dar): felicidade e tranquilidade. - Hoje sei perfeitamente como a minha ingenuidade me tramou - . A sala era, como já referi, pequena. Talvez podia ser comparada a uma casinha de bonecas, com os seus biblôs e as cortinas branquinhas que esvoaçavam sempre que uma brisa suave passava por entre a vidraça. Um mimo. Passava lá horas, sentada na cadeira do avô, castanha e almofadada, a folhear os meus livros de criança ou a rabiscar alguma coisa numa folha branca de papel. Outras vezes ficava de pernas cruzadas na cadeira de baloiço da avó, a cantar todas as músicas que aprendia na escola e que fazia questão de ensinar a quem quisesse e mesmo a quem não quisesse ouvir. Mas do que mais me lembro é da mesa grande que ficava no centro da sala. Contavam-se catorze cadeiras à sua volta. Aos domingos, todas ocupadas; nos dias de semana, ou nos dias em que decidia acampar lá em casa, tinha uma cadeira só para mim que ficava ao lado da do avô. Orgulhava-me por isso. Não sei porquê e também não sei explicar porque é que gostava de me sentar a seu lado. Imaginem que estão ao pé do vosso ídolo... é mais ou menos a mesma coisa. Muitas vezes, quando tinha a mesa por minha conta, ele olhava para mim, passava a sua mão grande, bonita e pesada pelos meus cabelos e sussurava: «És a alegria desta casa.» Não compreendia as suas palavras e limitava-me a sorrir. Dizem que a ingenuidade de uma criança é a coisa mais doce que há. No entanto, agora apercebo-me da frieza de muitas das minhas atitudes. Noutras vezes, quando afundava a colher na enorme taça de cereais logo pela manhã, e a avó quase que me obrigava a engolir tudo inteiro porque estava atrasada para a escola, o avô observava-me por entre os seus óculos pequenos que lhe assentavam na pontinha do nariz pontiagudo, esboçava um sorriso ténue e dizia: «Vamos lá a despachar boneca».
Ainda no outro dia vi uma imagem que dava um quadro daqueles mesmo amorosos. Deve ter sido das coisas mais queridas que alguma vez vi; um senhor levava pela sua mão a «sua menina», e a sua cumplicidade era bem evidente. Hoje pergunto-me, haverá amor mais sincero que o dos avós pelos netos, e vice-versa? Haverá alguma coisa mais querida do que este suposto choque de gerações, mas que acaba por ser uma complementaridade para ambas as partes? Não acredito. Ainda hoje recordo a voz do avô a me dar as boas noites enquanto me dava um beijo carinhoso na bochecha. Ainda hoje recordo as noites em que adormecia no sofá e sentia a sua mão a me passar no cabelo. Ainda hoje recordo quando lia o jornal à mesma hora que eu fazia os trabalhos de casa e uma vez acabados, agarrava-me pela mão e íamos dar um passeio. Ainda hoje recordo os melhores momentos que passei com ele, os melhores momentos que passei com alguém (e disso não duvido). Sei de cor e salteado algumas das suas histórias. Ainda hoje sinto-o. Quando digo que amei (e amo!) o meu avô, por mais inexplicável que isso possa ser - ou mesmo incompreensível, sinto-o. Acho que não poderei amar alguém da mesma forma.
Tenho saudades.
Ainda hoje recordo a voz do avô a me dar as boas noites enquanto me dava um beijo carinhoso na bochecha.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

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Con te partiro


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

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Mood: emotive

...I'm still waiting. Where are you?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

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Oscars 2009

Best Picture: Slumdog Millionaire
Actor in a leading role: Sean Penn (Milk)
Actress in a leading role: Kate Winslet (The Reader)
Directing: Slumdog Millionaire
Foreign Language Film: Departures
Music (song): Slumdog Millionaire
Music (score): Slumdog Millionaire
Film editing: Slumdog Millionaire
Sound mixing: Slumdog Millionaire
Sound editing: The Dark Knight
Visual Effects: The Curious Case of Benjamin Button
Documentary Short: Smile Pinki
Documentary Feature: Man on Wire
Actor in a supporting role: Heath Ledger (The Dark Knight)
Short Filme (live action): Spielzeugland (Toyland)
Cinematography: Slumdog Millionaire
Make up: The Curious Case of Benjamin Button
Costume Design: The Duchess
Art Direction: The Curious Case of Benjamin Button
Short Film (animated): La maison en petits cubes
Animated Feature Film: Wall-E
Writing (Adapted Screenplay): Slumdog Millionaire
Writing (Original Screenplay): Milk
Actress in a supporting role: Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

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Desafio

Desafio proposto pela Maria

Regras:

1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Copiar a frase
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6. Passar o desafio a cinco pessoas

Livro: A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Záfon

Frase: «Agradeci ao senhor Remigio a informação e dispus-me a descer a avenida da volta a San Gervasio.»

Passo a todos os que quiserem alinhar. Isto até tem piada...
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Conclusão

Hoje os deuses não conspiram a meu favor (independentemente do significado que isto possa ter)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

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Estado zen

e para obter mais efeito clicar aqui

domingo, 15 de fevereiro de 2009

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Before Sunrise


"I carry you, you'll carry me

That's how it could be
Don't you know me?

Don't you know me by now?"

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

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«A admiração é sempre um cansaço para a espécie humana», mas não para mim!

Há sempre uma série de coisas que tenho que fazer ou ter. É como uma chama para me manter viva. Uma necessidade extrema de sentir, ainda que estupidamente ou inutilmente, alguma coisa nas minhas mãos, se é que isso é possível. E entenda-se «nas minhas mãos» como algo... hipotético, digamos.
Costumo admirar as pessoas mais improváveis. As que por alguma razão a distância impede de estarem comigo. As que a vida trocaram (-nos) os passos. As que contribuem para que o meu mundo fique totalmente do avesso. As que falam por meias palavras, mas sabem que sou boa entendedora e que fico satisfeita pela metade. (Não sou ambiciosa, não a esse nível.) As que me transmitem o mais puro e bonito dos sentimentos: a amizade. (No matter what!) As que sentem o que sinto, que pressentem o que eu pressinto e que criam um fio invisível que nos liga quase a toda a hora. Que percebem esta coisa do «querer é poder!». Costumo admirar essas pessoas. E gosto de o dizer. O melhor delas está nas coisas mais elementares. Adoro-as por isso. Por conseguirem se encaixar perfeitamente neste mundo de marionetas, tendo sempre «um pé no conto de fadas e outro no abismo». Apesar de parecer contraditório, acho que não há melhor sensação que essa. E elas sabem-no. Erram, perdem o norte vezes e vezes e vezes sem conta, temem, esperneiam, gritam, ficam entre a espada e a parede mais meia dúzia de vezes, o chão foge-lhes outras tantas e no fim... estão firmes. Com o mesmo objectivo (e às tantas com um outro que surgiu nos entretantos) e com o mesmo lema: «o importante é não desistir!» Partilham não só esta, como também a outra vertente. A dos momentos eufóricos, das vitórias e dos largos sorrisos. São autênticos cristais. E não os troco por nada.
Costumo admirar essas pessoas que apesar de sábias ignoram esse pequeno elemento que têm dentro de si e procuram sempre mais e melhor. Não se contentam com (tão) pouco e sonham chegar mais alto. Melhor, percebem - na totalidade - o que é esta coisa a que chamamos sonho. Debruçam-se e orientam-se por isso. Não vêem outra coisa à frente, exageradamente. Apaixonam-se pelo simples e tendem a tornar tudo muito complexo só para dizerem «Gosto de desafios. Gosto de me pôr à prova!». Irrealistas! Não interessa! Desesperadamente esperam pelo que ainda está para chegar. Não sabem o que é ou quem é, mas sinceramente estão a se lixar para isso. Dizem a e depois dizem b. Inconstantes! Não importa! Estranhos e extremamente confusos. Deixá-los! Ao menos têm algo que os move! Não há nada de mais enervante do que a preguiça voluntária. Não sabem onde irão parar; apenas têm a certeza que um dia terão o mundo nas suas mãos. Há melhor pensamento que este?
Costumo admirar estas pessoas que não sabem o que dizem ou o que escrevem. Apenas dizem-no e escrevem-no porque se sentem bem ao fazê-lo. Não têm limites estúpidos e irracionais. E odeiam aquela coisa do sim-porque-sim-e-porque-soa-bem. Grande treta! Não há coincidências! Nem há desencontros eternos! Chamem-lhes ingénuos. Também não interessa! Não conhecem nada do que a sociedade forçosamente lhes impõe e estão-se completamente nas tintas para isso. Regem-se pelas suas próprias regras e precisam de estrelas para os guiar a toda a hora. Não! Não é egoísmo! É algo muito mais forte que isso. Talvez alguma coisa que não tem designação. Querem, por vezes, que os outros sejam os seus espelhos. Só assim conseguem ver como tudo realmente funciona. «A verdade verdadinha» é que sem isso não se sentem realizados. É mais ou menos a história do «Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma». Pouco são sem essa coisa de dar aos outros e nada, ou quase nada, receber. Sabem o que perdem. Têm consciência de tudo isso, mas são incapazes de contrariar a sua própria natureza. E é aí que tudo assenta. É esse o ponto. É isso que é absolutamente apaixonante nelas. Esse misto de tudo com nada ou de nada com tudo. Esse género de diletantismo. Essa maneira estapafúrdia de viver!
Admiro estas pessoas, porra! E para mim não há nada de maior valor do que olhar nos olhos delas e ver que há um castelo em construção; que tanto está forte como depois está todo arruinado, mas que no fim de toda esta cena não haverá bala que o derrube! Que assim seja!
(As cortinas fecham-se.)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

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Let it be

Já dizia a outra «Existe o correcto e o necessariamente correcto». Não sei distinguir um do outro o que, curiosamente, não me aborrece. Também não sei o significado de «errado» nem de «outra coisa qualquer». Não sei nada. Pura e simplesmente. Não me chateio, não comento e não questiono. Continuo a reparar e a absorver. Isso basta-me. Pelo menos por agora.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

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*

Há coisas que não se explicam; sentem-se.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

1 comentários

Pois

Pronto. Errei profundamente.

Bah!
Esqueçam
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Paris, je t'aime


Vamos?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

6

A propósito dos Lusíadas...

Credo!

«Receita para fazer um Herói

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão,
E toque-se um clarim.

Serve-se morto.»
Reinaldo Ferreira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

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:D

HELLLOOOOOOOOOO!!!!!! :D

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

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«Se puderes olhar vê, se puderes ver repara» (JSaramago)

Estou a aprender a olhar para lá do que se vê. E parece que é uma boa terapia porque, segundo a minha mãe, estou a me tornar numa pessoa mais crítica em relação às atitudes das pessoas e ao desenrolar de certos casos. «Finalmente, filha!». O problema é que não sei se gosto disso... Hmmm

ps: parabéns Luna e Kokas!!! :D

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

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Taça da Liga

Benfica - Sporting ou Sporting - Benfica. Não interessa. Mas depois de tanta polémica e de tanta insegurança e todas as energias negativas por parte de algumas pessoas, a verdade é que - pasmem-se os que nunca acreditam na verdadeira capacidade do glorioso - chegamos lá, conseguimos alcançar o objectivo desta noite: passar à final. Sim, certo, pode não ser uma coisa muito importante (o pessoal está mais preocupado com o jogo de domingo. ora essa, também eu!), mas como dizia a Teresa Guilherme «isso agora não interessa nada». O que interessa é que em Março nós vamos estar prontos para ganhar aos verduchos. E tenho dito
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O que é nacional também é bom...

Ouvi esta música na rádio e achei piada. Completamente diferente do que costumo ouvir, mas muito boa. Quem sabe se não nasce aqui uma fã dos Mesa...



(...)

Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
Por fim, por fim...

Sinto a vida que passa
Na boca do mundo, não se sabe quem é quem...

(Mesa - Boca do mundo)

ps: momento publicitário - novo blog na blogosfera: http://imortalmentefalando.blogspot.com/ recomendo vivamente! (hahah, vais-me pagar por esta!!! :P)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

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É isso

Há coisas que me tiram do sério. E quando digo que me tiram do sério, tiram-me mesmo do sério. Refiro-me, por exemplo, a tudo o que se pareça com o plágio e ao próprio plágio . E mais não digo.
Só me apetece citar o Manifesto Anti Dantas: «Morra o Dantas, morra! PIM!» - embora não haja nenhuma ligação, assim muuuuiiiiittttoooooo evidente, com o que pretendo dizer...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

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...

«Se eu ainda for capaz de saborear a alheira a rebentar de sabor ou o bacalhau a nadar em azeite, direi que estou em PORTUGAL!»

...e ela diz isto com um orgulho imenso, a sentir cada palavra (pior, a falar mesmo a sério!)! Apesar de ser uma frase decorada e retirada da publicidade do galinho, o patriotismo de certas pessoas assusta-me!