quarta-feira, 30 de abril de 2008

4

porquê?!

"enquanto esperava, era assim que projectava o rosto no infinito. era tão somente um par de olhos na noite. era talvez o fim. o fim da noite, o fim da mágoa ou o arredar das sombras. tudo tem um fim. sabes voar? perguntou. então vem!"

António Paiva

Enquanto davam voz a estes versos, deixei-me levar pelo ritmo das palavras e deixei-me navegar nestas ondas de sentimentos. Deixei chorar todas as mágoas. Deixei-me ficar.

Quis ir. Não fui. Melhor dizer, morri.

domingo, 27 de abril de 2008

4

Confusa


"És das pessoas mais lutadoras que alguma vez conheci" - hoje disseram-me isto.

Mas...

É suposto ser ingénua e acreditar em tudo o que me dizem? É suposto adoptar o lema "ver para querer"? Eu não sou assim. Quem me conhece sabe que não. É normal termos saudades daqueles que de uma forma ou de outra, marcaram a nossa vida? Porque é que eu me preocupo com tudo o que me tem que ser indiferente? Que mania! Estou cansada de palavras frias que ardem como fogo quando chegam ao coração. É normal pensar só no futuro e imaginar o que poderei estar a fazer daqui a uns anos? É normal não pensar em mim? Digo que preciso de preciso de paz e de ousadia, mas saberei eu o que isso significa? Estou tão cansada de tantas interrogações. Mas nada disto me sai da cabeça... Pergunto-me se realmente tenho o que chamam ''picos de humor'' ou se tudo isto é ansiedade de alguma coisa que não sei? É normal uma pessoa qualquer ligar a minha idade à falta de maturidade, sabendo perfeitamente, que acima de toda a minha excentricidade tento ser racional? Sabendo perfeitamente que tenho mais maturidade do que pensam? Não sabem como isso me aborrece... Serei de facto a pessoa mais lutadora que alguma vez conheceste? Transmito tanta confiança como dizem? Não consigo sorrir sempre. Desculpa. Sinto-me frágil. Sou assim tão transparente? Essa ideia assusta-me um bocado, para ser sincera. Vale a pena refugiar-me nas minhas paixões? Vale mesmo a pena? De que forma é que tenho que reagir para não me perder no que não sou? Dizem que na adolescência tentamos encontrar o nosso eu. Mas e se eu disser que já encontrei, estarei a mentir? Ou será que nunca encontramos? ...Tenho medo. Tenho medo de muita coisa e custa-me admitir que o tenho. Ai! Porque é que tenho que descambar para outros assuntos? Eu sou mesmo estranha não sou? Peço desculpa por isso. Digo muitas vezes que não temos que provar a ninguém que somos fortes, mas sim a nós mesmos que temos valor (o Fiuza e o Kokas são testemunhas destas palavras), mas qual é a veracidade desta afirmação? Sinto-me a desmoronar... Estou tão confusa! Ainda não sei porque é que faço do blog um amigo...


Quero respostas. Preciso de respostas a todas estas perguntas! ...

sábado, 26 de abril de 2008

2

Só por um minuto...

Os sufocos. As inseguranças. As lágrimas. As perguntas. Os medos. As imperfeições. O vago. Os desencontros. Já chega.

Preciso de silêncio. De encontros. De ousadia. De paz. De aventuras. De descobertas. De abstractos. De mim.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

0

25 de Abril de 1974

Foram dias foram anos a esperar por um só dia.

Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía

Com seus riscos e seus danos.

Foi a noite e foi o dia

Na esperança de um só dia.


Manuel Alegre

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 22 de abril de 2008

2

Que inveja!

Telefone toca:

- Estou? Ah sim pai, diz.
- Estou a ligar para dizer que estou a ler o Diário e vi aqui uma promoção muito boa de uma viagem Funchal/Lisboa. Que achas de irmos este fim de semana para vermos o jogo do Benfica e do Sporting-Marítimo?
- Estás a falar a sério? É claro que sim!
- Ok, então já falei com a mãe e já vou tratar disso.

Passados uns minutos...

Telefone volta a tocar:

- Há um problema, Marta.
- Que aconteceu?
- Só há viagem para cá na segunda às 8 e meia da manhã, o que faz com que tu percas aulas.
- Fooogoooo, não acredito! Não há no domingo à noite?
- Não, só na segunda a esta hora ou mais tarde.
- E eu não posso faltar às aulas?
- É que nem penses!
- Raios!

Já não vou a Lisboa, já não vou mudar de ares por três diazinhos, já não vou sair daqui...
MAS O MEU PAI VAI COM O MEU TIO! Não é justo! Ele vai a Lisboa. Ele vai mudar de ares. Ele vai ver o Benfica no Sábado, e ainda o Sporting-Marítimo no Domingo! E eu... Benfica? Marítimo? Sentadinha no meu sofá a olhar para a televisão e a comer chocolates para esquecer que o meu pai está no estádio e eu em casa! ERRR!
1 comentários

La bella Italia... e o belo do italiano

Estou completamente apaixonada por Itália e por italiano. Ontem, depois de um dia estafante de aulas e muito estudo, chego a casa e a primeira coisa que me chega aos ouvidos é: "Ciao, ragazza!" (Olá, rapariga!). Fiquei um pouco baralhada... o que é que está aqui a fazer um italiano? Como é que é possível estar um italiano a dois metros de mim? Obviamente que não fui antipática e cumprimentei o homem.

Rapidamente as minhas dúvidas foram esclarecidas: Os meus tios, devido a motivos de trabalho, vão diversas vezes a Itália e os italianos vêm cá, e ontem vieram jantar cá a casa e trouxeram o italiano com eles. Digamos que tentei comunicar em italiano (o que saíu mais espanhol que outra coisa). O que não conseguia dizer, dizia em inglês e até tivemos conversas agradáveis.

Mas uma coisa tenho que vos dizer: é uma língua LINDA! Aquela pronúncia, aquele falar cantando é encantador, apaixonante... não tenho palavras para descrever! O mais giro disto tudo é que quando ele foi embora, trocamos emails e ele sai-se com esta: "Quando lei mi scrive una lettera comincia con 'Parà il mio amore' " (não sei se está correcto porque apanhei isto assim no ar, mas consultando dicionários penso que é assim que se escreve. (Quando me escreveres uma carta começa com "Para o meu amor"). Achei muito querida esta frase!

Ainda estou babadíssima e hoje foi "Bon giourno" e "amore mio" para toda a gente! Hehe

Se antes já tinha vontade de aprender italiano, agora ainda tenho mais!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

1 comentários

A bela da ironia

Quando o coração manda, a cabeça tem que o seguir. Não há outra hipótese. A verdade é que não vale a pena contrariar a natureza seja de que ser for. Descrições e mais descrições, de mim, de ti, do outro, daquele e daquela.

Devido à minha experiência (pouca mas já suficiente para estas coisas) e ao meu contacto com esta realidade mais empirista que científica ou o que quer que isso possa significar, tomei consciência de que os passos têm que ser dados por nós e para nós, ignorando o sábio que pensa que é uma enciclopédia ambulante, e valorizando o aprendiz que se dedica ao trabalho. É uma aliança que fica sempre.

Com esses "especialistas" [sábios ou os ditos "cinco tostões de gente"] os temas de conversas em pouco ou nada variam. O mais certo é ser qualquer coisa como "Descreve-te". Ora, utilizando e dando um pouco de "espectáculo", ou diria, "show-off"(que sei que o critiquei há uns dias e desculpem-me por estar a tomá-lo como se nada fosse), digo que já dizia Oscar Wilde que um homem é menos homem sempre que fala de si mesmo, o que é completamente verdade. Como sabem, sou apologista de mistérios e há uns quantos que nem preciso (ou nem quero) que me dêem as pistas. Elas virão por si. O mesmo acontece com o Eu. Subjectivo? A vida não é objectiva, meus caros.

Por mais contraditório que possa parecer (e acredito que sim), o mundo é dos sonhadores não dos menininhos que se julgam coitadinhos ou mesmo "amanteigados" (se é que me entendem). Com tudo isto que os meus olhos já viram, a cabeça já pensou, o coração já sentiu.... naaaa não estou para suportar as ditas baboseiradas dos "vidrinhos" que se cruzam na minha vida (e que não são poucos)

Ao lerem este texto, de certo que pensam que não estou a bater muito bem da pinha e que tudo o que escrevo é contraditório ao que eu penso, ao que eu sou mas posso afirmar que talvez sim, ou que talvez não. Passo a explicar e a simplificar:

Quando estamos num dia de muito esgotamento, quando temos muito trabalhinho a fazer e o calor só nos chama para a praia, quando temos muitos projectos e depois alguma alma (mal) iluminada decide deitá-los por terra, a única solução não é chorar sobre o leite derramado. É sim, voltar a fazer as malas, arrumar o que está desarrumado e simplesmente não perder tempo com quem não perde tempo connosco. Esta é a realidade. Nua e crua.

E mesmo quando somos constantemente postos à prova, criticados pela nossa maneira de falar e expôr ideias, gozados sem descaramento da nossa ignorância, o melhor de tudo é debruçar-se sobre nós mesmos e avaliar os prós e os contras da nossa existência, sabedoria e personalidade. A conclusão que de certo chegaremos é mais que simples: lutar para que aqueles que nos querem ver mais que enterradinhos, nos vejam, um dia, a brilhar como uma estrela cadente. Não dependemos de ninguém. Somos mais autónomos do que pensam e se aquelas cabecinhas pensadoras conseguem, nós também conseguimos. Não é verdade?

E termino este belíssimo texto, que me estava a dar muito prazer em escrever, pedindo que me desculpem a ironia que sempre foi a minha favorita e que não sejam dogmáticos ao ponto interpretarem letra a letra o que está aqui tatuado. Gosto muito da subjectividade.

E ponto final.


domingo, 20 de abril de 2008

1 comentários

August Rush


Um carismático jovem guitarrista irlandês (Jonathan Rhys Myers) e uma deslumbrante jovem violoncelista (Keri Russell) conhecem-se uma noite em Nova Iorque e apaixonam-se profundamente. Separados pelo destino, para trás fica um filho tornado órfão pela força das circunstâncias. Anos mais tarde, a criança (Freddie Highmore), com dotes notáveis para a música, apelidada August Rush, toca nas ruas de Nova Iorque protegida por um misterioso estranho (Robin Williams). Através da música, August Rush tudo fará para encontrar os pais de quem foi separado à nascença.

Dos filmes mais bonitos que já vi. Ao vê-lo, sente-se um conjunto de emoções que no seu todo nos levam a embarcar nesta viagem musical e a sentir, nota a nota, a "pulsação" da história.


1 comentários

No country for old men


Baseado no romance homónimo de Cormac McCarthy, o premiado autor americano, "Este País Não é Para Velhos" é um hipnótico "thriller" dos irmãos Coen, os realizadores de "Fargo" e "Barton Fink". Nos dias de hoje, os ladrões de gado deram lugar a traficantes de droga e as cidades pequenas tornaram-se campos de batalha. Llewelyn Moss (Josh Brolin) descobre uma carrinha, rodeada por cadáveres, com um carregamento de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro. Moss resolve ficar com o dinheiro e o seu acto desencadeia uma série de acontecimentos extremamente violentos, que nem mesmo a lei, na figura do velho e desiludido Xerife Bell (Tommy Lee Jones), consegue travar. À medida que Moss procura fugir aos seus perseguidores, sobretudo a um misterioso homem (Javier Bardem) que atira uma moeda ao ar para decidir se poupa ou não a vida aos seus inimigos, o filme retrata de forma dramática temas tão antigos como a Bíblia e as manchetes sanguinárias dos jornais. "Este País Não é Para Velhos" foi nomeado para oito Óscares, vencendo quatro: melhor filme, melhor realizador, melhor actor secundário e melhor argumento adaptado.

Na minha opinião, foi merecedor de todos os Óscares que recebeu! Um óptimo filme para quem gosta de drama/acção/triller

quinta-feira, 17 de abril de 2008

4

O desafio da Maria

Um mês seria: Março, claro!
Um dia da semana: Sexta-feira. Adoro aquela sensação de saber que no dia seguinte é Sábado e que (quase) não faço nada!
Um número: O 8. Sempre gostei dele
Um planeta: Vénus. Talvez pelos "mitos"
Uma direcção: A correcta sem dispensar nada nem ninguém
Um móvel: Não dispenso a minha caminha por nada!
Um líquido: Água
Um pecado: Tal como a Maria, a gula!
Uma pedra: Não gosto de nenhuma em especial... mas a nível de minerais escolheria o quartzo.
Um metal: A prata
Uma árvore: Castanheiro
Uma fruta: A minha preferida, a maçã
Uma flor: Gerberas... tudo menos rosas e antúrios e sapatinhos e... acho que está tudo
Um clima: Mediterrânico
Um instrumento musical: O piano. Adoro!
Um elemento: Só podia ser a Água
Uma cor: Branco
Um animal: Pássaro
Um som: Gosto de muitos. Mas delicio-me com o som dos intrumentos de corda
Uma canção: "Sunrise", da Norah Jones
Um perfume: DKNY (o da maçã verde! hehe)
Um sentimento: Paz, sem dúvida
Um livro: De todos os livros que já li (e não foram poucos), gostei do do Daniel Oliveira "1 dose de droga, 1 grama de esperança?" devido à coragem e força que transmite
Uma comida: Não resisto a arroz de pato
Um lugar: O meu refúgio
Um gosto: Sou viciada em chocolates!
Um cheiro: O do Mar.
Uma palavra: Amizade (para mim a mais bonita)
Um verbo: Amar. Tudo, todos, a vida.
Um objecto: Um bom livro
Uma peça de roupa: Meias
Uma parte do corpo: Reparo muito nas mãos (e não sei explicar porquê!)
Uma expressão: De surpresa
Um desenho animado: Sou uma grande fã dos filmes da Disney. O meu preferido é a Branca de Neve
Um filme: "A vida é bela" é dos filmes mais bonitos que já vi
Uma forma: Triângulo (?)
Uma estação: Há algumas pessoas que me chama de Primavera, por isso, escolho a Primavera!
Uma frase: A vida é uma gargalhada constante

Passo este desafio à Luna, à Joana e à Luli.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

4

O grande disparate ortográfico. Aquele que alguns chamam de 'acordo'


Ainda estou para ver qual é o 'acordo' que aqui está/devia de estar patente. São tantos os comentários sobre este (des)acordo ortográfico quer na blogosfera, quer em jornais, conversas de cafés e em muitos mais sítios. As pessoas estão revoltadas (90%) e com muita razão.
Isto é um perfeito disparate! Não concordo com este 'acordo' e apresento as minhas razões:

  1. Na minha opinião, ao mudar a ortografia, Portugal está a perder a identidade (que já é brilhante...). Ou seja, portugueses de Portugal e estrangeiros que venham para cá viver, terão que se habituar a uma língua que ninguém sabe o nome porque é metade de uma coisa, metade de outra.

  2. Eu não consigo compreender qual é a urgência desta mudança repentina e ilógica da ortografia. É óbvio que para quem dá montes de erros na língua PORTUGUESA a coisa até pode ser boa, uma vez que não tem que se preocupar com isto (notar a ironia). Mas a questão é que EU ESTIVE TANTOS ANOS A APRENDER PARA NO FINAL DE TUDO SAIR BURRA?! ESTIVEMOS A TRABALHAR PARA O NOSSO PORTUGUÊS SER CADA VEZ MAIS PERFEITO PARA NO FINAL DE TUDO SAIR TUDO AO CONTRÁRIO?

  3. Estamos TODOS a falar e a escrever uma língua que é NOSSA para num belo dia de sol ou de chuva (não interessa), certas pessoas - que não têm mais nada que faça - acordarem muito idiotas (nos dois sentidos do termo), baterem com a cabeça nalgum sítio e acharem que, sim senhores, é uma "excelente ideia" 'abrasileirar' a coisa. Estalam os dedos e PUFF não se faz Chocapic mas sim, uma "mudançazita" no nosso PORTUGUÊS de forma a não haver "desigualdades" (responsabilizo-me pelas aspas) entre países e para ser mais fácil os outros povos entenderem e consequentemente aprenderem o dito PORTUGUÊS, que NÃO é de Portugal! (sim, com este acordo, o português é, também, brasileiro!).

Li no sábado um artigo do jornalista Daniel Oliveira, publicado no jornal Expresso que passo a citar:

"Correto de fato

Claro que me incomoda que um cão seja agarrado 'pelo pelo' em vez de o ser 'pelo pêlo'. Que o 'para já' possa ser uma ordem para que se fique quieto ou o começo de uma explicação. Mas espanta-me o tom catastrofista de algumas críticas ao Acordo Ortográfico. A ver se nos entendemos: cada um continuará a escrever como quiser. Ninguém vai ser obrigado a refazer as suas bibliotecas, os jornais continuarão a decidir dos seus próprios livros de estilo, não haverá uma ASAE para a prosa de cada um. É uma norma sem sanção. A escola e os documentos oficiais serão os únicos afetados. Com alguma vantagem, reconheço, para o português no mercado das línguas. E para Portugal, que nesse mercado ficaria para trás perante o poder internacional do Brasil. Corríamos o risco de assistir de fora a uma unificação de facto ou de fato. Dos 3% de palavras que sofrem modificações, os brasileiros cederam em 1% e os portugueses em 2%. O negócio, não sendo ótimo, podia ser pior.

No entanto, e sendo o problema mais burocrático do que prático, não percebo por que se optou pela obrigatoriedade da maioria destas alterações. Parecia-me mais inteligente e respeitador da diversidade da língua que em todos os casos se aplicasse a regra da dupla grafia. Assim, viveríamos ao abrigo da mesma lei, deixando que a adaptação acontecesse naturalmente. Nas escolas mantinha-se a grafia nacional. Os documentos internacionais e o ensino do português no estrangeiro optavam, como já terão de fazer com muitas palavras.

O excesso unificador não me agrada. Mas o pânico purista não me parece a melhor resposta. Até porque, como puderam perceber, decidi aqui aplicar o acordo ortográfico antes de ele entrar em vigor. Não é ilegal. Serei livre de não o fazer depois de ele ser ratificado."

Devo de dizer que tudo o que queria dizer sobre este assunto resume-se a esses parágrafos acima transcritos.

Encontrei à pouco na blogosfera uma publicação bastante pertinente àcerca desta assunto. Passo a citar

"É deprimente ver uma escritora da dimensão da Lídia Jorge a papaguear uma argumentação de vão de escada no programa "Prós e Contras", na RTP, sobre o "Acordo ortográfico", a favor desta coisa. Se antes eu já era absolutamente contra, depois deste debate fiquei a saber ainda mais porquê. Já agora, vou-me recusar a escrever uma palavra que seja que resulte das modificações operadas pelo acordo. Sabem uma delas? Pois aqui vai: já imaginaram o que é escrever fodasse? Foda-se! Nunca!"

Não tive oportunidade de ver o programa na segunda-feira, mas fiquei pasmada e indignada ao ler esta publicação. Acho um grande choque, senão mesmo um escândalo, escritores portugueses, que sempre escreveram em português de Portugal, aceitarem de ânimo leve esta porcaria! Penso que anda todo louco.

Também encontrei na net, derivado as minhas pesquisas, as mudanças que as nossas palavras sofrerão. Ora vejamos este disparate até onde vai:


  1. Na grafia: cai o «h» como em «húmido» e fica úmido, desaparecem o «c» e o «p» nas palavras onde não se lêem (são mudos), como acção, acto, baptismo ou óptimo.

  2. Exemplos de palavras que sofrem com estas alterações: acionar, adjetival, adjetivo, adoção, adotar, afetivo, apocalítico, ativo, ator, atual, atualidade, batizar, coleção, coletivo, contração, correção, correto, dialetal, direção, direta, diretor, Egito, eletricidade, exatidão, exato, exceção, excecionalmente, exceções, fator, fatura, fração, hidroelétrico, inspetor, letivo, noturno, objeção, objeto, ótimo, projeto, respetiva, respetivamente, tatear.

  3. As terminações verbais «êem» deixam de ser acentuadas em Portugal e no Brasil (exemplos: creem, deem, leem, veem, incluindo os verbos com as mesmas terminações: descreem, releem, reveem, etc).

  4. Deixa de ter acento diferencial a forma verbal de «para».

  5. O acento diferencial para distinguir o passado do presente passa a ser facultativo

  6. As formas monossilábicas do verbo haver perdem o hífen. Exemplos: «hei de», «hás de», «há de», «hão de». A palavra «fim-de-semana» também fica sem hífen.

  7. O hífen cai também em palavras compostas (em que se perdeu a noção de composição), que passam a ser escritas assim: mandachuva, paraquedas e paraquedista.

  8. Ainda em relação ao hífen: fusões de palavras quando há duplicação do «s» ou do «r», como antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, extrarregular, infrassom.

  9. O novo acordo recomenda também que se generalize a fusão quando a terminação é uma vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente: extraescolar, autoestrada

  10. Meses e estações do ano passam a escrever-se com letra minúscula.

Que liiiiindooooo! Que maravilha! Acho que será agora que vou aprender português! (desculpem a ironia) ERR que merda!

Para mim, brasileiro/a só mesmo a música e as pessoas. E mais nada!

E como música ponho um fado bem português!


Tenho dito.

terça-feira, 15 de abril de 2008

3

Recordarei em ti
O silêncio das palavras
Que outrora navegaram
Nos mares do tempo
E agora desmaiam na praia.

domingo, 13 de abril de 2008

7

Damn!

O pior de tudo é quando penso que está tudo bem comigo e no final reparo que tenho a vida ao contrário. Reparo que não tenho o mesmo Norte que as outras pessoas e que por mais que esteja num local super calmo, onde se respire felicidade, mergulho num misto de emoções que não sei classificar. Reparo que passo horas em frente às palavras do jornal e as letras saltitam de página a página como se quisessem me dizer alguma coisa. Reparo que a música toca e volta a tocar e irrita-me profundamente aquele som do piano ao longe. Afirmo que estou perdida mas que ninguém me ajuda a encontrar o caminho de volta para casa. Para "casa". Desejo desabafar com o desconhecido mas nem esse está ao meu lado para me ouvir. Quero um momento a sós comigo mesma mas quando o tenho, não estou preparada para esse diálogo interior. Os outros estão no meu pensamento. O Outro está na minha mente. Chega a se parecer com uma perseguição. Desligo o telemóvel mas estou sempre preocupada e ansiosa porque além pode precisar de mim. "Esquece! Esquece mesmo! Concentra-te em ti mesma. Também tens sentimentos." É o que todos me dizem. É muito fácil falar. Mas e se toda esta lealdade e amizade for algo do meu interior, da minha natureza? Não me posso desligar disso pois não? E se precisar de chorar num ombro de alguém, quem se disponibilizar-se-á? Quem me dirá o que preciso de ouvir e não o que quero ouvir? Quem é que me vai dar um abraço e um beijinho de consolo? Quem é que me vai fazer sair de casa para espairecer um pouco? Quem é que me vai sussurrar que tudo ficará bem? Quem?!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

3

A valsa


Tudo brilhava. Os vestidos. Os cabelos. Os sorrisos. As luzes. Os olhares. Ao fundo da sala, a música tocava baixinho e ia, gradualmente, aumentando de volume. Estava frio. Tinha acabado de chover, por isso, as pessoas encontravam-se todas naquela sala enorme onde era difícil atravessá-la sem esbarrar naquelas entidades que tentavam se afirmar desse por onde desse.

Quando cheguei fiquei à porta. Nunca tinha visto tanta beleza, tanto glamour, tanta sensualidade junta. Definitivamente, estava num mundo que não era o meu. Mas sentia-me bem, na verdade.

Queria apanhar um pouco de ar fresco e notei que ao pé da banda, um pouco mais no lado direito, havia uma pequena porta de vidro aberta que dava para uma varanda com vista para os grandes jardins e para o lago que reflectia a lua cheia. Pensei que seria uma excelente ideia ficar por lá uns momentos, enquanto a festa se desenrolava atrás de mim.

Sabia que tinha que passar no meio de toda aquela gente, tinha que ter cuidado com os vestidos das outras senhoras, com as bandejas de champagne que passavam por cima das nossas cabeças... Mais ainda, tinha que ter cuidado com os meus sapatos e com o meu vestido cor púrpura, recheado de uma espécie de fitas brilhantes, para não tropeçar e fazer má figura.

Já mal se ouvia a música. O barulho de fundo eram gargalhadas, conversas intercaladas com os tilintares das taças de champagne e ainda o engraçado barulhinho que os sapatinhos de salto alto faziam ao bater no chão. Respirei fundo e sorri.

Quando comecei a caminhar na direcção da varanda, uma leve brisa roçou os meus cabelos e beijou-me a cara. Sentia-me feliz. Caminhava como se não houvesse nada para além de mim e dos meus pensamentos e deixava-me seguir pela música que, entretanto, soava baixinho.

A valsa tinha começado. As conversas e as bebidas tinham ficado agendadas para depois da dança que esperava ladies and gentlemans. O maestro coordenava a banda com os seus gestos incompreensíveis e a música aumentava de ritmo e de som. As pessoas iam de encontro aos seus respectivos pares para o passinho de dança a meio do salão. Se não queria esbarrar naquele look très chic, tinha que me despachar. Tocavam Paganini e eu murmurava, talvez uma letra improvisada, para aquela melodia. Ria de mim mesma. Nunca me tinha sentido tão feliz nos últimos tempos. Queria aproveitar aquele momento.

Uns dançavam e outros conversavam nas mesas que se espalhavam pelo salão. Estava quase a alcançar a varanda e toda aquela confusão de "Com licença!" "Ups, peço desculpa!" estava a chegar ao fim. Até que sinto um toque leve na minha mão e oiço uma voz bastante familiar e que me deu saudades de outros tempos. Parei. Voltei-me e o meu olhar cruzou-se com um olhar meigo e há muito perdido no tempo. Um olhar que já não via desde aquela tarde de Janeiro, na rua do café do costume. Naquela tarde em que senti que tinha sido o fim. Suspirei. Não poderia acreditar no que os meus olhos viam e para quem estava a sorrir.

Deu-me um beijo delicado na mão que tinha presa à sua e continuava a olhar para mim.

- A menina dança?

Soltei uma gargalhada e colei a minha mão à sua. Coloquei a outra no seu ombro. Os olhares voltaram a se cruzar. Senti a mão firme nas minhas costas e as minhas pernas a darem seguimento àquela dança que nem eu nem ele sabíamos de onde vinha. Mas não queria descobrir o impossível. Mantive a mão apertada naquela palma que não via há muito tempo e senti, de novo, aquela tez macia. Não dissemos mais nada. O nosso olhar falava por si.

E dancei.

Dancei Paganini como nunca tinha dançado.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

3

A triste realidade

Hoje em dia vivemos num mundo limitado por aquilo que somos hoje e que fomos ontem. Não há espaços para amanhãs, para objectivos e para sonhos. Tudo é estupidamente ocupado pelos nossos erros e pelo que, uma vez por mero acaso, possamos ter dito que ambicionávamos construir ou ser ou possuir mesmo que tenha sido o inconsciente ou a insanidade mental a falar. Somos "valorizados" pela merda das nossas fraquezas. Concluo, então, que neste mundo só há lugar para dois grupos: os cobardes e os falhados!

terça-feira, 8 de abril de 2008

2

Para sempre

"Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos."


Miguel Sousa Tavares in Não te Deixarei Morrer, David Crockett

domingo, 6 de abril de 2008

7

E eu sorri

(foto de Germina)


A brisa corre lá fora e agita as folhas que desmaiam no chão. O sol teima em entrar pela janela do meu quarto e em me beijar a cara. Há muito que se faz silêncio nesta casa.
O correio chegou cedo, hoje. Só espero panfletos de publicidade e os jornais do costume. A rotina de sempre. Mas no meio de tanta papelada, deparo-me com um pequeno envelope azul escuro e com uma caligrafia um tanto ou quanto mal feita, mas familiar. O coração bate a mil à hora, parece que vai sair do peito! Será que...? Como é que...? Corro e sento-me no meio das folhas caídas e deixo que a brisa faça esvoaçar os meus caracóis. O sol continua a me beijar a cara e os pássaros preparam a sua sinfonia.

Tremo. As minhas mãos tremem ao rasgar aquele papel colorido. O coração acompanha o ritmo de toda aquela ansiedade e curiosidade. Será que é mesmo verdade? Com toda a rapidez, retiro o pequeno papel dobrado em quadro. E eis que, novamente, deslizo os olhos na caligrafia mais mal feita que alguma vez vi e sinto a vista a ficar turva. Aguento um soluço e as lágrimas correm até aos meus lábios onde morrem. És tu. És mesmo tu. Parece-me que aquela carta foi escrita diversas vezes devido à leve marcação de palavras que se conseguia ver.

"Não me quero afundar nas memórias passadas e nos arrependimentos presentes. Não me quero deixar levar pelo orgulho. Já se passou muito tempo. Estou farto do silêncio e da solidão. Volta. Não quero esquecer que existes e que foste parte de mim. Quero mergulhar, de novo, naqueles sentimentos e emoções que me fez submergir há uns meses atrás. Não te quero longe nunca mais."


E eu sorri.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

5

FARTA!

De excessos. De regras. De contradições. De gostar. De penumbras. De ironias. De odiar. De respostas. De silêncio. De angústias. De interrogações e exclamações. De lutar. De dar e dar e dar. De desculpar. De trabalho. De escrever. De ser. De sonhar. De invejas. De limites. De excentricidades. De distâncias. De traições. De suposições. De não saber o que dizer. De tanto show-off! De desperdiçar. De deixar. De parar. De olhar e não ver. De esquecer. De fingir não saber. De ilusões. De devaneios. De esperanças. De fins e de começos. De...


MERDA!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

4
Encontrei uma palavra para te definir: Excentricidade
2

eu NÃO vou ao rock in rio...

Era bom demais para ser verdade! Era (quase) um sonho tornado realidade. Pronto, ok, não exageremos, era algo que eu realmente gostava ainda por cima com as bandas que vão este ano! Era a loucura!! Mas meus amores, não sabem que ontem foi o DIA DAS PETAS?!

terça-feira, 1 de abril de 2008

10

EU VOU!!!!!!!!!!


LISBOA ESPERA-ME! A MAIOR FESTA DO ANO ESPERA-ME! Viajo para Lisboa no dia 29 de Maio à noite e regresso no dia 1 de Junho também à noite! Aproveito e mato saudades a "menina e moça"! WOOOOOWWWWW!!!!!!!!!!!!!