
Ainda estou para ver qual é o 'acordo' que aqui está/devia de estar patente. São tantos os comentários sobre este (des)acordo ortográfico quer na blogosfera, quer em jornais, conversas de cafés e em muitos mais sítios. As pessoas estão revoltadas (90%) e com muita razão.
Isto é um perfeito disparate! Não concordo com este 'acordo' e apresento as minhas razões:
Na minha opinião, ao mudar a ortografia, Portugal está a perder a identidade (que já é brilhante...). Ou seja, portugueses de Portugal e estrangeiros que venham para cá viver, terão que se habituar a uma língua que ninguém sabe o nome porque é metade de uma coisa, metade de outra.
Eu não consigo compreender qual é a urgência desta mudança repentina e ilógica da ortografia. É óbvio que para quem dá montes de erros na língua PORTUGUESA a coisa até pode ser boa, uma vez que não tem que se preocupar com isto (notar a ironia). Mas a questão é que EU ESTIVE TANTOS ANOS A APRENDER PARA NO FINAL DE TUDO SAIR BURRA?! ESTIVEMOS A TRABALHAR PARA O NOSSO PORTUGUÊS SER CADA VEZ MAIS PERFEITO PARA NO FINAL DE TUDO SAIR TUDO AO CONTRÁRIO?
Estamos TODOS a falar e a escrever uma língua que é NOSSA para num belo dia de sol ou de chuva (não interessa), certas pessoas - que não têm mais nada que faça - acordarem muito idiotas (nos dois sentidos do termo), baterem com a cabeça nalgum sítio e acharem que, sim senhores, é uma "excelente ideia" 'abrasileirar' a coisa. Estalam os dedos e PUFF não se faz Chocapic mas sim, uma "mudançazita" no nosso PORTUGUÊS de forma a não haver "desigualdades" (responsabilizo-me pelas aspas) entre países e para ser mais fácil os outros povos entenderem e consequentemente aprenderem o dito PORTUGUÊS, que NÃO é de Portugal! (sim, com este acordo, o português é, também, brasileiro!).
Li no sábado um artigo do jornalista Daniel Oliveira, publicado no jornal Expresso que passo a citar:
"Correto de fato
Claro que me incomoda que um cão seja agarrado 'pelo pelo' em vez de o ser 'pelo pêlo'. Que o 'para já' possa ser uma ordem para que se fique quieto ou o começo de uma explicação. Mas espanta-me o tom catastrofista de algumas críticas ao Acordo Ortográfico. A ver se nos entendemos: cada um continuará a escrever como quiser. Ninguém vai ser obrigado a refazer as suas bibliotecas, os jornais continuarão a decidir dos seus próprios livros de estilo, não haverá uma ASAE para a prosa de cada um. É uma norma sem sanção. A escola e os documentos oficiais serão os únicos afetados. Com alguma vantagem, reconheço, para o português no mercado das línguas. E para Portugal, que nesse mercado ficaria para trás perante o poder internacional do Brasil. Corríamos o risco de assistir de fora a uma unificação de facto ou de fato. Dos 3% de palavras que sofrem modificações, os brasileiros cederam em 1% e os portugueses em 2%. O negócio, não sendo ótimo, podia ser pior.
No entanto, e sendo o problema mais burocrático do que prático, não percebo por que se optou pela obrigatoriedade da maioria destas alterações. Parecia-me mais inteligente e respeitador da diversidade da língua que em todos os casos se aplicasse a regra da dupla grafia. Assim, viveríamos ao abrigo da mesma lei, deixando que a adaptação acontecesse naturalmente. Nas escolas mantinha-se a grafia nacional. Os documentos internacionais e o ensino do português no estrangeiro optavam, como já terão de fazer com muitas palavras.
O excesso unificador não me agrada. Mas o pânico purista não me parece a melhor resposta. Até porque, como puderam perceber, decidi aqui aplicar o acordo ortográfico antes de ele entrar em vigor. Não é ilegal. Serei livre de não o fazer depois de ele ser ratificado."
Devo de dizer que tudo o que queria dizer sobre este assunto resume-se a esses parágrafos acima transcritos.
Encontrei à pouco na blogosfera uma publicação bastante pertinente àcerca desta assunto. Passo a citar
"É deprimente ver uma escritora da dimensão da Lídia Jorge a papaguear uma argumentação de vão de escada no programa "Prós e Contras", na RTP, sobre o "Acordo ortográfico", a favor desta coisa. Se antes eu já era absolutamente contra, depois deste debate fiquei a saber ainda mais porquê. Já agora, vou-me recusar a escrever uma palavra que seja que resulte das modificações operadas pelo acordo. Sabem uma delas? Pois aqui vai: já imaginaram o que é escrever fodasse? Foda-se! Nunca!"
Não tive oportunidade de ver o programa na segunda-feira, mas fiquei pasmada e indignada ao ler esta publicação. Acho um grande choque, senão mesmo um escândalo, escritores portugueses, que sempre escreveram em português de Portugal, aceitarem de ânimo leve esta porcaria! Penso que anda todo louco.
Também encontrei na net, derivado as minhas pesquisas, as mudanças que as nossas palavras sofrerão. Ora vejamos este disparate até onde vai:
Na grafia: cai o «h» como em «húmido» e fica úmido, desaparecem o «c» e o «p» nas palavras onde não se lêem (são mudos), como acção, acto, baptismo ou óptimo.
Exemplos de palavras que sofrem com estas alterações: acionar, adjetival, adjetivo, adoção, adotar, afetivo, apocalítico, ativo, ator, atual, atualidade, batizar, coleção, coletivo, contração, correção, correto, dialetal, direção, direta, diretor, Egito, eletricidade, exatidão, exato, exceção, excecionalmente, exceções, fator, fatura, fração, hidroelétrico, inspetor, letivo, noturno, objeção, objeto, ótimo, projeto, respetiva, respetivamente, tatear.
As terminações verbais «êem» deixam de ser acentuadas em Portugal e no Brasil (exemplos: creem, deem, leem, veem, incluindo os verbos com as mesmas terminações: descreem, releem, reveem, etc).
Deixa de ter acento diferencial a forma verbal de «para».
O acento diferencial para distinguir o passado do presente passa a ser facultativo
As formas monossilábicas do verbo haver perdem o hífen. Exemplos: «hei de», «hás de», «há de», «hão de». A palavra «fim-de-semana» também fica sem hífen.
O hífen cai também em palavras compostas (em que se perdeu a noção de composição), que passam a ser escritas assim: mandachuva, paraquedas e paraquedista.
Ainda em relação ao hífen: fusões de palavras quando há duplicação do «s» ou do «r», como antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, extrarregular, infrassom.
O novo acordo recomenda também que se generalize a fusão quando a terminação é uma vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente: extraescolar, autoestrada
Meses e estações do ano passam a escrever-se com letra minúscula.
Que liiiiindooooo! Que maravilha! Acho que será agora que vou aprender português! (desculpem a ironia) ERR que merda!
Para mim, brasileiro/a só mesmo a música e as pessoas. E mais nada!
E como música ponho um fado bem português!
Tenho dito.