sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

5

"Há expressões que nunca esquecemos"


Palavras (o)usadas é o novo livro de António Barroso Cruz, um conceituado escritor português que vive na Madeira há muito tempo. Este livro conta com a participação, no que toca ao design, de um dos meus artistas preferidos: Marco Fagundes.

Hoje, no Teatro Baltazar Dias, decorreu a apresentação do livro. Obviamente que lá estava! Não a perdia por nada! (acabei de chegar de lá!)
O momento auge da noite, para mim, foi o momento dos autógrafos. Eu, como tenho uma lata do tamanho de um barril, decidi pedir um autógrafo ao autor do livro. E para não destoar, pedi também ao Marco Fagundes. Mas.. há um episódio importante a relatar:

Tinha eu os meus 7 ou 8 ou mesmo 9 anos, e numas actividades de Verão, daquelas que os pais babam-se por nós andarmos lá, tive este senhor Marco Fagundes como professor de artes plásticas. Um dia, fiz de modelo para ele, ou seja, eu tenho um retrato meu a carvão, feito por ele. Escusado será dizer que o guardo como uma relínquia. E está tão bem guardado que já nem me lembro onde anda. (Mentira! Não o perco de vista...)
Hoje, dia 29 de Fevereiro, quando me dirigi a ele para pedir um autógrafo, aconteceu uma cena muito caricata que eu nunca me vou esquecer.
- Boa noite Marco! Será que me pode dar um autógrafo?
- Sim, claro que dou. Como te chamas?
- Marta.
Ele hesitou e disse:
- Espera aí, eu conheço-te... olha para mim.
Digamos que fiquei perplexa. Como é que ele ainda se lembrava de mim? Como é que..?
Apesar de todas aquelas interrogações que tinha na cabeça, olhei.
- Eu já te fiz um retrato não fiz? Eu lembro-me de ti!
- Pois é. Já tem alguns anos mas sim, eu tenho um retrato meu feito por si.
- Ena, eras tão pequena e agora estás enorme!
Continuava perplexa.
- Mas como é que ainda se lembra de mim?
- Há expressões que nunca esquecemos. E essa tua expressão do olhar continua a mesma. Ainda tens a mesma vivacidade de há uns anos, quando te conheci.
Escusado será dizer que fiquei calada durante uns bons minutos e olhava para ele com admiração. É que esta frase acertou-me em cheio no coração! Apanhou-se naqueles dias mais sensiveis que todos nós temos. Como tal, já podem imaginar o que aconteceu...
Quando finalmente consegui pronunciar o que quer que fosse, olhei para ele e soltei um "Obrigada, de cá de dentro!" ao qual ele respondeu "Nunca percas esse brilho, ouviste?".
Sorri. Foi um sorriso mais que sincero!

E agora estou a escrever este texto com o coração bem apertadinho, porque estas simples palavras que para vocês podem parecer normais/banais, para mim tiveram imenso significado. E não. Não pensem que este é o meu lado romântico e emotivo a falar. Sou eu mesma. Como o sou em todos os post's e em todas as palavras que aqui (e não só) tatuo/digo. E não. Também não são Palavras (o)usadas, nem abusadas!

Porque escrevo

Escrevo
porque preciso de
escrever,
de sentir rios a passar,
de ver nuvens a voar,
descrever um céu azul,
navegar por entre o mar.
Escrevo porque me alimento de
letras,
das ilusões que nelas crio,
nos sonhos que com elas sonho,
nas vidas que desejei,
e noutras em que
amei.
Escrevo
com palavras que são minhas
delírios inconfessados,
desejos de sempre
guardados
imagens que passam
por mim
num caminho que não tem
fim.
Escrevo
apenas pelo escrever,
por devaneios sem sentido
por um momento vivido
pela vida ou pelo amor
pelo amor que trago
comigo.
Escrevo
para mim ou não
importa quem
por palavras, por desenhos,
por perfumes e por cores,
palavras que querem bem,
palavras apenas minhas,
mas que são de todos
também.
António Barroso Cruz

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

6

Mensagem...


"Se algum dia o céu te cair sob a cabeça, expira com força e as nuvens esvaem-se. O sol não pesa. A lua vai embora."

E depois? As estrelas estarão a contemplar-te. E mesmo que entre nós exista tudo, incluindo palavras, não te esqueças: não estás sozinho!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

3

And the winner is...


Para os amantes, apaixonados, viciados do cinema, aqui ficam os vencedores dos Óscares:

Actor in a supporting role: Javier Bardem (No country for old men)
Visual effects: The golden Compass
Animated feature film: Ratatouille
Short film (live action): Le Mozart des pickpockets
Short filme (animated): Peter & The wolf
Costume design: Elizabeth: The golden age
Make up: La vie en rose
Actress in a supporting role: Tilda Swinton (Michael Clayton)
Documentary Short: Freeheld
Documentary Feature: Taxi to the dark side
Art Direction: Sweeney Todd - the demon barber of fleet street
Music (score): Atonement
Sound Mixing: The Bourne Ultimatum
Music (song): Once
Sound Editing: The Bourne Ultimatum
Foreign Language Film: The Counterfeiters
Film Editing: The Bourne Ultimatum
Actor in a leading role: Daniel Day-Lewis (There will be blood)
Cinematography: There will be blood
Actress in a leading role: Marion Cotillard (La vie en rose)
Writing (adapted screenplay): No country for old men
Writing (original screenplay): Juno
Directing: No country for old men
Best picture: No country for old men
3

Atonement


Juntos pelo amor. Separados pelo medo. Redimidos pela esperança.
No dia mais quente do Verão de 1935, Briony Tallis, uma jovem de 13 anos, vê a sua irmã mais velha, Cecilia (Keira Knightley), despir as suas roupas e mergulhar na fonte do jardim da sua casa de campo.Junto a Cecilia, está o filho do caseiro, Robbie Turner (James McAvoy), um amigo de infância que, tal como com a irmã de Briony, se diplomou recentemente em Cambridge.
No final desse dia, a vida dos três personagens terá mudado para sempre. Robbie e Cecilia terão ultrapassado uma fronteira, da qual nunca antes tinham ousado sequer aproximar-se, e ter-se-ão tornado vítimas da imaginação vívida da jovem. Briony, por seu lado, terá cometido um terrível crime, que procurará expiar toda a sua vida…

Um dos melhores filmes que já vi! Vale mesmo a pena ver! Se forem como eu, sairão do cinema com lágrimas nos olhos mas é daqueles filmes que retratam uma história que talvez nunca nos passe pela cabeça que pudesse acontecer. Digo: têm que ver; vão adorá-lo! (E como sempre, o trailer)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

2

Volta...


" We live in a world full of electronic devices. We beep each other, use cellular phones, send faxes and e-mails, and leave messages on answering machines. Whatever happened to sitting down over a cup of coffee and solving all the world's problems? What's become of neighbours sitting on the front porch and visiting until dark? Why don't friends ever just drop by anymore? Yes, technology is a good thing but maybe not for relantionships. We've gotten so caught up in " gadgets " that we've lost sight of humanity. Sometimes we still need a hug or a pat on the back. We still need to look someone in the eye, face to face, when we talk to them. Nothing will ever replace human contact. I miss you. I miss the smile that used to brighten my day. I miss the embrace that used to give me the strength to make it through whatever trials might come my way. I miss the eyes that sparkled when you talked of the things that brought you joy in life. So the next time you think of me -please don't leave me a message. Stop by and see me - because no machine will ever take the place of you. "

- Lorrie Francis Payne

É o que eu sinto. Tenho saudades tuas. Tenho mesmo saudades tuas. Desapareceste do mapa.. ou será que fui eu que desapareci? Foste das pessoas que mais me marcaram e que me ajudaram a crescer. Foi contigo que aprendi muita coisa e foi contigo que desabafei muita coisa. Sabes como sou um livro fechado mas tu sabes quase toda a minha vida...
Volta, amiga. Preciso das nossas conversas, das nossas tardes a rir, dos nossos desabafos. Preciso de ti.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

7

ONTEM ESTIVE COM...


... O CARLOS GUILHERME! Dá para acreditar? Para quem não sabe, o Carlos Guilherme é um dos maiores tenores de Portugal e tem uma carreira ilustre, viajando e cantando mundo fora, inclusivé com grandes tenores. E ontem eu tive o grande privilégio de o conhecer pessoalmente. Passo a explicar:

No Teatro Baltazar Dias houve um concerto dos Bandolins da Madeira (onde conheço diversas pessoas). Fui convidada para ir e obviamente não recusei. O que eu não sabia é que o tenor Carlos Guilherme, uma flautista madeirense Carla não sei das quantas e o maestro João Victor Costa iriam, também, actuar. Mas essa foi a surpresa. Quando cheguei ao Teatro, chovia a potes, então telefonei ao pessoal para saber onde estavam. Disseram-me "entra pelos bastidores". Assim fiz. Quando cheguei aos bastidores dou de caras com o Carlos Guilherme e fico literalmente especada a olhar para o senhor. Disse-lhe que estava a conhecê-lo do albúm que ele editou recentemente com a Anabela e ele sorriu e perguntou se eu tinha gostado do album. Disse o que achava e depois ele disse "Já continuamos a conversa, tenho que ir ali à entrevista". Digamos que eu fiquei do tipo "wow, ele quer continuar a conversa?". Mas dito e feito. Após a entrevista para a RTP Madeira, Carlos Guilherme e sua mulher, juntaram-se a nós para a bilhardice! Digo, sinceramente, o senhor é extremamente simpático e não tem aquelas manias que algumas personalidades têm. Mas, na conversa, Marta aproveita e mete a sua colherada de aspirante de jornalista e "ataca" (lol):

- Já aqueceu a voz, mestre?
- Eu devia de ter juízo, mas já não o faço há algum tempo. (risos)
- E não tem medo que a voz falhe?
- Sabe, se falhar terá que falhar.. mas sim é um receio que tenho. Mas se houvesse ar condicionado era muito pior.
- Acredito.. deve ser um medo constante. E como é que é trabalhar mundo fora, com tantos artistas de renome?
- Sabe quando ganha alguma coisa que já esperava há imenso tempo? Quando atinge os objectivos? É essa a sensação que se sente ao estar frente a frente, ou lado a lado com esses artistas. Como a minha mulher costuma dizer, ficamos com borboletas na barriga. (risos de novo)
- Imagino. E deve ser muito prestigiante saber que é admirado por muita gente de qualquer faixa etária, não?
- É. Claro que é. É muito bom sentir o carinho do público.

Depois outra pessoa perguntou se tinha conhecido o Max.

- Conheci o Max era eu muito novo. E gostava muito dele porque ele possuía uma vez quente. E cantar Max (como fez ele ontem à noite - algumas canções) é muito gratificante e também é muita responsabilidade!

A mulher é também bastante simpática e curiosamente, apesar de não me conhecer, começou a dizer que ela e o Carlos Guilherme fizeram 40 anos de casados no dia 6 de Janeiro. Obviamente foram alvos de "Parabéns".

Toca uma espécie de sininho. O espectáculo ia começar. Vou para os bastidores porque disseram que iam precisar de mim. Estava completamente na lua. Como é que eu poderia ter acabado de conhecer o Carlos Guilherme, além do mais, ter a oportunidade de falar com ele e ainda estar nos bastidores do Teatro, que não é bonito mas ficamos "com borboletas na barriga"?! Estava feliz.

O espectáculo começou. Começaram todos a dar aos dedos e tanto a flautista Carla não sei das quantas (não me lembro do outro nome dela!) como o Carlos Guilherme, brilharam!
Fim da primeira parte. Mais 15 minutos de bilhardice mas desta também, também com o maestro João Victor Costa, que é igualmente simpático e que esteve a elogiar os artistas. (Elogios muito merecidos!). E quando estavámos todos embalados nas histórias de ambos os artitas, eis que toca de novo o sininho. Tudo para os seus lugares, Marta de novo para os bastidores e toda a plateia a apreciar o espectáculo. Carlos Guilherme encantou o público, não só com a sua fantástica voz mas também com o seu sentido de humor.

Acabou o espectáculo. Muitos aplausos, de pé, daqueles demorados, daqueles que dá prazer ouvir! E eu também tive o privilégio de entregar as flores ao tenor! Que honra, meu Deus! Inchei de orgulho!

Infelizmente, não houve tempo para fotografias com os artistas porque precisaram de mim para ajudar a arrumar as cadeiras e todo o palco. Quando acabei já eles tinham ido embora e só ficou as palavras:
- Muito prazer em vos conhecer! Até sempre!
- O prazer foi todo nosso e volte sempre que quiser!

Foi uma noite de loucos. Quando saí de casa nem me passava pela cabeça o que me esperava. E ainda estou completamente alucinada com tudo o que aconteceu.
Não tenho palavras sequer. Agradeço a todos os que me proporcionaram tal experiência! E quando houver mais espectáculos, lembrem-se de mim! Heheh

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

4

Oscar Wilde said:

"Society often forgives the criminal, but it never forgives the dreamer."

Sem tirar nem pôr.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

3

Cumplicidades

- O que se passa?
- Nada. Estou só distraída.
- Martinha, eu conheço-te. Diz-me. Estás naqueles dias difíceis?
- Toda a gente os tem...
- Mas não os tens que ter por muito tempo, não é verdade?
Sinto a tua mão na minha. Sinto paz.
- Podes me dar um abraço? Preciso de me sentir segura...
Uma lágrima corre-me cara abaixo.
- Claro que sim. Dou-te o mundo se quiseres.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

6

A Madeira de Ontem

Finalmente consegui arranjar um tempinho para me organizar/realizar a reportagem. É uma vergonha. Eu pedi, e tive o descaramento de deixar passar um mês para então postar! Mas só tive mesmo tempo agora.
Este desafio foi proposto pelo Kokas (Mando um beijinho de parabéns para ti e para a Luna Tic - parabéns a vocês, nesta data querida muitas felicidades muitos anos de vida. Hoje é dia de festa cantam as nossas almas para o Kokas e para a Luna uma salva de palmas! wooooow!! Tudo de bom para ambos!!!) e é um desafio enorme! Mas amei, amei mesmo! Aprendi diversas coisas acerca da Madeira que desconhecia e tive oportunidade de contactar com outras realidades que me passavam ao lado. E chega de conversa fiada e vamos ao que interessa.

Espero que esteja tal como imaginavas e também espero que todos gostem. Obrigada!
Primeiro um podcast com algumas opiniões sobre a Madeira, de seguida o texto e depois um vídeo.
(Peço desculpa pelos ruídos e algo parecido com gritaria mas ainda não me dei muito bem com o micro)

Madeira de Ontem


A questão do descobrimento

Corre de boca em boca que o descobrimento do arquipélago da Madeira deu-se em 1418, quando João Gonçalves Zarco atingiu a ilha do Porto Santo e no ano seguinte alcançou a Madeira. No entanto, a legitimação da posse portuguesa, de acordo com o direito vigente, só poderia ser alcançada pela ausência de referências do seu conhecimento por outras gentes e, por isso, a 8 de Novembro de 1460, o Infante D. Henrique – uma vez designado senhor das ilhas do arquipélago – deu a entender que a Madeira já tinha sido descoberta e que, em 1419 era apenas uma redescoberta.
Mas, há muitas divergências no que toca ao descobrimento da Ilha da Madeira. De acordo com Gaspar Frutuoso, a ilha foi descoberta a 1 de Julho de 1419, tendo os descobridores desembarcado na baía de Machico. (daí conhecida a lenda de Machim) Esta é, portanto, considerada a versão oficial pois foi a que adquiriu maior aderência do povo madeirense. Desta forma, o dia 1 de Julho passou a ser celebrado como o Dia da Região Autónoma da Madeira.
São conhecidas várias expedições à Ilha sendo a primeira em Dezembro de 1418 – a primeira viagem de reconhecimento do Porto Santo – e a última em Maio de 1420, sendo a segunda viagem à Madeira.

A ocupação e o povoamento

O povoamento da Madeira teve como dirigente o Infante D. Henrique, apoiado em João Gonçalves Zarco e com (ou não) colaboração de Tristão Vaz Teixeira.
Segundo alguns cronistas, no Verão de 1420 realizou-se uma expedição comandada por João Gonçalves Zarco que tinha o intuito de começar a ocupar a ilha. Na sua companhia tinha Bartolomeu Perestrelo e Tristão Vaz Teixeira. Desta forma, as ilhas do Porto Santo e da Madeira obtiveram três capitanias, uma vez que estas tinham sofrido uma distribuição pelos três colaboradores. Assim, o Porto Santo foi entregue a Bartolomeu Perestrelo (por ser uma ilha mais pequena) e a Madeira esteve nas mãos de João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira – embora estivesse dividida em duas. Esta divisão fez com que a vertente meridional, dominada pelo Funchal ficasse ao poder de João Gonçalves Zarco, enquanto que a restante área era do domínio de Tristão V. Teixeira.

- o povoamento

Foi um processo que rapidamente se expandiu a toda a costa meridional, levando à criação de outros locais como Santa Cruz, Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol e Calheta.
As dificuldades de orografia (parte da geografia que estuda a parte sólida do globo terrestre) não foram motivo para atrapalhar ou para travar o processo. Muito pelo contrário, a fertilidade do solo e a pressão do movimento demográfico foram grandes motivos de atracção.
Este processo de povoamento/movimento demográfico esteve intimamente ligado com a questão do desenvolvimento económico. A criação de municípios e paróquias foram um óptimo exemplo de tal ligação. Ao nível religioso constatou-se um desmembramento das paróquias já existentes, acrescentando novas: Santo António, Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol, Arco da Calheta e Santa Cruz.
O povoamento também teve grande relevo com a economia açucareira, que foi um motivo de forte atracção por parte dos estrangeiros que acabaram por se fixar na ilha.
O crescimento da população da Madeira foi uma constante no decorrer dos tempos, tendo algum crescimento acentuado nos finais do século XVIII inícios do século XIX. Mas, o auge do crescimento populacional foi no século XX.


As duas principais fortalezas

A Fortaleza/O Forte de Santiago

Com o domínio quase absoluto dos portugueses nas rotas do Atlântico Norte, as defesas nas ilhas não mereceram a devida atenção, acabando a cidade do Funchal por ser vítima de um ataque originado pelos corsários em 1566. Mas foi só em 1614 que se deu o início da construção da fortaleza que só viria a ser concluída em 1637. A construção da fortaleza de Santiago tinha como objectivo proteger a cidade contra o ataque de piratas.
Em 1618, a fortaleza de Santiago recebeu importantes verbas (quantias), na altura em que a Madeira se via ameaçada por corsários argelinos. Esta primeira fortaleza foi desenhada por Bartolomeu João em 1654 e concluída pelo mesmo. Possuía três níveis de baterias, todas devidamente artilhadas. A fortaleza estava situada ao pé do mar onde tinha junto à mesma uma porta de acesso a este, servida por uma escadaria. Junto a esta porta, encontrava-se a porta da fortaleza que tinha uma grade vertical e uma ponte levadiça. Actualmente, nesta porta interior ainda são visíveis os orifícios por onde corriam as correntes da ponte levadiça.
O forte de Santiago sofreu várias alterações, tendo sido ampliada em meados do século XVIII, sob a orientação do engenheiro Francisco Tossi Columbina, vindo para o Funchal com o cargo de construir o porto. Sofreu também alterações no século XIX quando foi ocupada por tropas britânicas antes de irem para a Europa para as campanhas napoleónicas, assim como no início deste mesmo século, as instalações do comandante foram ampliadas. Em 1901 recebeu a visita do rei D. Carlos, o único rei português a visitar a ilha. A fortaleza foi base militar até 1992, onde foi, de seguida, cedida ao Governo Regional da Madeira com o objectivo de instalações de carácter cultural e museu militar. A partir desta altura, passou a funcionar como Museu de Arte Contemporânea.


Palácio de S. Lourenço

Após um ataque em 1528 por um navio de Biscaia (província de Espanha) a outro que estava no porto do Funchal, foi pedido, pela Câmara, ao rei D. João III a construção de uma fortaleza que defendesse o porto da cidade. O pedido foi efectuado em 1529 mas a construção só foi iniciada por volta de 1540. O objectivo inicial seria para um baluarte e um muro de defesa mas acabou por ficar um torreão e um cubelo (figura de torre quadrada sem ameias (ver aqui) - abertura feita, de intervalo a intervalo, no cimo dos muros, torre ou fortificação - unidos por uma muralha. Foi ampliado na época de D. João III com dois planos de muralha.
Em 1566 com o assalto dos corsários huguenotes, é reconhecida a obra do mesmo, tendo-se avançado com a total transformação a cargo de Mateus Fernandes e Jerónimo Jorge, cumprindo o desenho feito por Bartolomeu João em 1654. ( ver aqui) Após a ocupação filipina, o edifício foi reservado para ser morada das autoridades mais importantes da ilha, perdendo assim, a função de fortaleza e adquirindo a de palácio.
É um pólo de atracção, tendo no seu primeiro piso uma sala gótica com abóbada de nervuras e fechada por uma Cruz de Cristo.
O Palácio de S. Lourenço é ainda defendido pelos seus poderosos baluartes filipinos, formados por amplas muralhas com esplanadas e canhoneiras protectoras. Na parte leste existe um torreão circular manuelino marcado pelo brasão de armas deste monarca.
Abaixo do plano de muralha estavam as importantíssimas fontes de João Dinis que foram destruídas em 1949.




Elementos típicos da Madeira

O bordado: O bordado madeirense, ao contrário do que se pensa, não é uma invenção britânica mas é uma tradição portuguesa que foi trazida para a ilha pelos primeiros colonos e que permaneceu em muitas famílias por gosto e por hábito. Foi a partir do século XIX que o bordado se transformou num elemento bastante importante na economia da ilha. Foi através de Miss Phelps que esta indústria teve reconhecimento e aceitação no estrangeiro e esta é a única relação existente entre o bordado e o estrangeiro (nomeadamente com a Inglaterra).
Aos poucos e poucos, o bordado foi sendo conhecido e em 1863 exportava-se para os Estados Unidos enquanto que na década de 80 abriu-se o mercado alemão que adquiriu, rapidamente uma posição dominante. No século XX verificou-se uma mudança na matéria e nos mercados. O algodão e a cambraia foram substituídos pelo linho cru e a linha dominante passou a ser a castanha. Aos mercados já existentes, juntaram-se o Brasil, os EUA, o Canadá, a França e a África do Sul.


Os vimes: É desde o século XVI que o fabrico de cestos de verga para os trabalhos agrícolas e caseiros são conhecidos. O cultivo do vimeiro ganhou importância na segunda metade do século XIX tendo especial aderência na Camacha.
Os vimes tinham a transformação na ilha ou eram exportados para os EUA e Europa. Na Madeira eram usados para a confecção de cestos agrícolas ou caseiros, cadeiras, mesas, carros de cesto (Monte), peças de mobiliário…



A cana de açúcar: transformou a economia e o modo de vida da população. Foi introduzida na ilha em 1425, por ordem do Infante D. Henrique. Foi nos séculos XV e XVI que a indústria da cana sacarina mais se notabilizou. O açúcar madeirense passou, então, a ser conhecido nos principais mercados europeus. Desta forma, a indústria do mel e do açúcar foi alvo de uma larga exportação e foi fundamental para um amplo tráfego comercial entre a ilha e o exterior. Curiosamente, foi devido ao negócio da cana-de-açúcar que se ergueram alguns dos monumentos históricos da Madeira, como por exemplo a Sé do Funchal, e o Museu de Arte Sacra. Da cana, para além do açúcar, extrai-se também aguardente e melaço. À base de aguardente de cana, faz-se a famosa Poncha (que tem que ser provada por quem aqui passa!). Já o mel de cana é um dos ingredientes fundamentais para o tradicional Bolo de Mel.

As levadas: tiveram um papel importantíssimo na vida das populações. Foi devido a estas que a ilha assentou o seu quotidiano, uma vez que as levadas são vias de condução da água mas também são caminhos de acesso a espaços de habitação e agrícolas e, consequentemente, boas vias de circulação dos produtos da terra. A água para além do regadio, era usada na lida doméstica.
Hoje em dia, as levadas são um importante macro na história e beleza da ilha.

O folclore: A origem e a evolução do traje da Madeira é alvo de muitas especulações. Há quem pense que teve influências quer nacionais quer estrangeiras, nomeadamente minhotas, mouriscas, africanas e da Flandres.
Traje feminino: predomínio da cor vermelha. Na Ponta do Sol, por exemplo, as mulheres usavam capas: as casadas e as solteiras usavam-nas de cor vermelha; as viúvas punham capas azuis.
Traje masculino: calção branco com franzido sobre o joelho (com elástico ou com cós); a camisa possui pregas, sendo o seu número muito variável, e podem ser bordadas ou não. Chegou-se a usar uma faixa do mesmo linho do calção, com as pontas franjadas e chegando à curva da perna. No entanto, este adorno era usado apenas pelos servidores de casas ricas.
Tanto homens como mulheres usam botas, chamadas botachas ou bota-chã e são feitas de pele de vaca curtida. A parte superior da bota é virada para fora e desce até ao tornozelo, sendo enfeitada com uma fita vermelha.
Na Madeira, os bailados obedecem a ritmos suaves, executados com certa lentidão, devido ao clima e às condições físicas do ambiente. A ilha da Madeira possui as suas danças próprias, que exteriorizam bem o temperamento popular.

Gastronomia

Pratos Típicos Regionais:

  • Bife de Atum (habitualmente preparados numa marinada de azeite, alho, sal e oregãos - é servido com milho cozido)
  • Sopa de trigo
  • Filetes de Espada
  • Bacalhau (bacalhau com natas, bacalhau à Braz, à Gomes Sá ou então simplesmente grelhado)
  • Lapas
  • Polvo
  • Camarão
  • Carne de vinho-e-alhos (carne de porco marinada)
  • Milho Frito (é uma das alternativas para acompahar pratos de carne. Também acompanha a espada de cebolada)
  • Espetada de carne de vaca assada em espeto de louro, acompanhada pelo bolo do caco (carne assada em pau de louro sobre carvão bem quente).
  • Picado (é servido em doses de tamanhos diferentes, geralmente de acordo com o número de pessoas).

Frutos Tropicais:

  • Banana
  • Pêra abacate
  • Anona
  • Manga
  • Maracujá

Doçaria:

  • Bolo-de-Mel
  • Broas de Mel
  • Pudim de Maracujá
  • Queijadas (bolos feitos à base de requeijão, ovos e açúcar)
  • Rebuçados de Funcho


Bebidas:

  • Sumos de frutas exóticas
  • Poncha - confeccionada com aguardente de cana, mel e limão
  • Vinho Madeira
  • Nikita: bebida doce e refrescante feita com cerveja (ou sumo), gelado e pedaços de ananás.
  • Outros Vinhos de Castas Regionais
  • Licores tradicionais

(Importante não esquecer o Bolo do Caco com manteiga d'alho, como entrada)

Por fim, presenteio-vos com um vídeo onde é possível verificar algumas diferenças a nível da evolução urbana da Madeira, ao longo dos tempos:

Agradeço a todos que me ajudaram nas gravações e que sempre me deram uma opinião sincera quando a pedi.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

4

Carnaval

Foram dois dias cheios de alegria, felicidade, fotografias, loucura, amigos, novos amigos, música, festa... tudo o que eu estou a pedir, a implorar há já algum tempo. Devo dizer que foi um verdadeiro espectáculo, estas duas últimas noites. Gargalhadas e diversão não faltou.
Foi mesmo LINDO!