Se é um “mostro” que destrói ou se é apenas, um meio para alcançar o bem-estar...
A droga é, para muitos jovens, um meio para se libertarem dos problemas, para encontrarem um pouco de paz que não lhes é proporcionada no ambiente familiar, no ambiente escolar e mesmo entre o grupo de amigos. No entanto, a dúvida mantém-se. Porquê recorrer à droga?
Joana Ferreira: Sempre vivi com a ideia de que a droga era vista como uma "companheira" por alguns jovens, aquela que estava sempre lado a lado, com ele, que o dominava, que o fazia sentir mais forte, impossível de derrubar, tal como um amigo verdadeiro. Ao estar no meio de tantos problemas, que leva muitas vezes ao sentimento e ao estado de solidão, acho que recorrem a droga, para isso mesmo, sentirem-se "acompanhados".
Para além deste, haverão outros motivos que levam as pessoas a entrarem neste mundo?
J.F: Infelizmente, são imensos os motivos que existem, e cada vez mais os jovens, e não só, conseguem criar mais e mais, como desculpa pela sua fraqueza. Um dos que mais estão presentes, é a curiosidade, o poder de liberdade, e principalmente influência dos amigos, e pressões como a escola, enfim, tudo o que faz parte do mundo de um adolescente.
Achas que os pais deviam de falar abertamente com os filhos sobre este problema?
J.F: Sim, sem dúvida, mas essa questão é como uma moeda, tem dois versos. Por um lado, a conversa em casa, traz mais confiança e contém alertas com mais eficácia do que se fosse um amigo, ou outra pessoa qualquer, pois no lar há confiança. Mas muitas vezes o fruto proibido pode ser o mais apetecido. As imensas proibições, e a demasiada obeceção com este assunto, pode aumentar curiosidades.
Conheces alguém que tenha entrado no Mundo da droga? O que fizeste para o/a ajudar?
J.F: Conheço, e vivi lado a lado com esse mundo, mesmo sem nunca ter entrado neste, nem com a pontinha do pé. Um dos meus melhores amigos entrou, mais do que com um pé, entrou por inteiro. Assisti a uma destruição, que me marcou para sempre. Deixei-me envolver bastante, ao ajudá-lo, algo que se fosse hoje teria mais cuidado. Ajudei-o como nunca pensei conseguir, e numa das vezes que ele conseguiu sair, apesar de ter voltado, agradeceu-me e disse-me que metade do percurso para a saída, tinha sido pela minha mão.
Ou seja, fica o satisfação do reconhecimento ou nem por isso?
J.F: Ouvir aquilo e ver que conseguiu sair daquele mundo, dá-nos uma satisfação enorme. Mas meses depois, ele tropeçou e toda a ajuda e todas aquelas palavras parecem ter sido em vão, que afinal a ajuda não foi assim tão importante.
"A Lua de Joana" é um livro dedicado, especialmente aos jovens, e que abre um pouco o leque. Ou seja, fala um pouco da droga, na sensação após o consumo, nos meios a percorrer para atingir o fim, que é o dinheiro para a poderem comprar. Qual a tua opinião sobre isso?
J.F: Já tive algumas oportunidades de ler livros sobre esta dependência e "A Lua de Joana" é aquele que melhor mostra, de uma modo leve claro, a droga como inimiga. Na questão do dinheiro, é claro que é a grande estrada que leva o jovem a chegar à droga, mas como trata-se de uma dependência qualquer meio, por mais difícil que seja, é sempre atingido para satisfaze-la. O livro fala sobre a "perda", e sim, para mim é sem dúvida o grande preço de todos que possuem a dependência por substâncias vão pagar, e para mim o que mais me deixa impressionada.
Achas que o livro chama a atenção para o diálogo entre pais e filhos, pois a falta de diálogo, muitas vezes pode ser a razão que leva os filhos a procurarem outros caminhos, que neste caso é a droga?
J.F: Chama imenso atenção a essa falta de diálogo, que mencionaste. Ao longo do livro, a distância da Joana tanto do pai, como do resto da família, leva-lhe a refugiar-se apenas em si própria. Quando experimenta e continua a tomar substâncias, apenas tem os amigos desse mundo, e a ela própria para pedir ajuda, ou simplesmente falar sobre o assunto. A procura de outros caminhos, tal como a personagem deste livro fez, talvez pudesse ser evitada pelos pais, ao simplesmente terem uma relação mais próxima.
Que mensagem gostarias de deixar àqueles que vêm a droga como a única solução?
J.F: Que a vida é preciosa, não a ponham nem a "feijões" em risco.
(Agradeço imenso à Joana pela disponibilidade em responder às perguntas de uma miúda que tem a mania dos porquês. Um "obrigada" do tamanho do Mundo!)