"Os jovens e a democracia participativa
Os últimos tempos têm sido pródigos em questões de juventude, começando pelas discussões em torno das declarações do Presidente da República sobre a participação da juventude e suas percepções da história, à discussão sobre o código de trabalho.
A juventude actual é, sem dúvida, a mais esclarecida de sempre ou, pelo menos, a que melhor acesso tem à formação e à educação. Não é preciso recorrer a qualquer estudo para verificarmos que esta geração é a que melhores recursos tem ao seu dispôr, a que melhor domina as tecnologias, a que melhor sensibilizada está para as questões ambientais, a que melhor interpreta os direitos humanos, a que melhor está preparada para a convivência intercultural, entre outras coisas.
De facto, não é de todo negligenciável que, apesar de não conhecerem a história (conforme diz o estudo), esta é a geração que melhor e mais desempenho tem na vivência do quotidiano de Abril e na transformação social e política que daí decorreu.
É comummente referenciado o afastamento dos jovens da vida política e da política da vida dos jovens. Este fenómeno, característico do processo da evolução da nossa sociedade, convida-nos a reflectir um pouco sobre o estado da participação, da cidadania e das patologias destes fenómenos.
(...)
A nova geração é a primeira cuja generalizada ida à escola é uma evidência. Os seus pais deixaram de estudar cedo, com clarar repercussões no desenvolvimento da sociedade portuguesa. Hoje, a massificação dos estudos secundários ainda não teve a correspondente adaptação social das famílias portuguesas, sendo de facto a violência gerada pelas alterações complexas da vida laboral, onde se destacam os contratos a prazo, a instabilidade laboral, ciclos longos de desemprego, horários longos, aliado a uma saída precoce da escola.
(...) Por outro lado, há que rever os nossos sistemas de ensino, tem que se trabalhar o sistema para que contextualize os alunos no seu meio social e, só então, conseguiremos desenvolver objectivos profícuos de cidadania activa e de participação.
Para concluir, a iniciativa do senhor Presidente da República é de particular relevância, não só chamando os jovens a participar, mas utilizando o seu magistério para agitar as águas do estado das artes da participação na vida cívica."
Tiago Soares, in Expresso
Aqui tem a resposta, senhor deputado (?) "Cujo-Nome-Não-Deve-Ser-Pronunciado" [que um dia afirmou que "esta nova geração é uma geração rasca"] e todos aqueles que já discutiram este assunto comigo, e que não chegaram a lado nenhum (talvez por não aceitarem os meus argumentos e por eu nunca ter sido levada a sério).