
É muito raro escrever um texto, um poema, uns meros versos até!, em que, no final, fique realmente satisfeita. Tenho sempre a sensação que, ou tem um ponto a mais ou um ponto a menos. Uma frase mal construída ou um simples ponto de exclamação que tem de se formar em interrogação. No entanto, quando gosto do meu trabalho, gosto verdadeiramente. É quando me dá imenso prazer pronunciar cada palavra, expressar o que cada letra junta quer dizer. Fazer teatro. Exacto, é isso mesmo: um teatro.
Tenho, também, a mania de me contradizer. Ora sim, ora não. É um defeito que só desaparecerá com o tempo e com o aperfeiçoamento da escrita.
Não sou uma escritora nata e nem me considero escritora. Escritores são todos aqueles que com uma palavra fazem a mais bela história de encantar e que se estão a indignar e a alterar a estrutura do conto constantemente. Tal como Sophia de Mello Breyner, que com dois simples versos fez um poema, se é que assim o podemos considerar, que põe a massa cinzenta (pelo menos a minha) a funcionar:
"Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia."
Forte e ao mesmo tempo sensível. Hmmm... divinal, como lhe chamaria.
Escritores são também aqueles que o muito bom sabe-lhes a pouco e só o excelente parece-lhes apenas bem.
E eu, eu não me considero escritora. Aspirante, mais depressa. Perfeccionista? Com certeza. Talvez herde isso de alguns dos ícones da literatura. Mas o epíteto que dou a mim mesma, é nem mais nem menos, amante das letras.
Sou apologista da ideia "devagar se vai ao longe" e sempre que tenho um pedaço de papel e uma caneta sai-me, como que instantaneamente, uma frase. Chega a ser viciante! Há quem diga que o meu fado é esse: livros! Eu acrescento: espero que não seja só esse. Por isso, prefiro arriscar e sair algo totalmente sem pés nem cabeça, do que sair sempre perfeito. É errando e caindo que se aprende, não é verdade?
Tenho plena consciência de que os elogios/críticas de que somos alvo não só aumentam a nossa auto-estima, como também nos transportam, no caso dos elogios, para o mundo utópico. "Lindo!", "Maravilhoso!", "O melhor!". Tudo isto faz-nos inchar de orgulho. Mas nada é perfeito. O que para nós está cinco estrelas, chega um que nem um a sabe desenhar e transforma o nosso sucesso na nossa tragédia. Como também o que para nós é excelente para outros poderá ser modificado e tornado muito mais emotivo, muito mais tocante, frágil... mais receptível por parte do público. É o que há de mais parecido com o plágio. Ui! Palavra proibida, penso. E contraditoriamente é a mais usada aquando da construção de uma crítica. É como uma arma mortífera!
Enfim... não me iludo! Sei o que o mundo cujo mar são letras e cujo céu são palavras é um verdadeiro quebra-cabeças misturado com uma bela de uma sopa de letras!
(desconheço o autor da foto)

5 comentários:
Era bom que isso acontecesse com toda a gente . Não só na literatura, pq há gente que, tal como eu, não tem jeito para isso :P.
Mas um mundo demasiado perfeito, não tinha muita piada, pois não?
Beijinho marta!! 'foi bonzinho' xD
Bem...sem dúvida um texto e tanto...."Sei o que o mundo cujo mar são letras e cujo céu são palavras é um verdadeiro quebra-cabeças misturado com uma bela de uma sopa de letras!" Amei! Já sabes....continua assim...q mais há para dizer?! Beijão*
Ai, ai Marta, os meus comentarios neste blog estao a tornar-se repetitivos nao achas? Vou começar a cobrar pela minha imaginaçao, haha. Estou a brincar. Bem, mais um texto fantastico. É sempre bom ler o que escreves ;)
Beijinho*
O mundo das palavras é o mundo do sons, Marta. :) É como ter à frente uma pauta e ir pondo nota sobre nota. E os silêncios? Ora aí está o segredo: a pontuação! ´Por isso treinamos aqui nestes espaços, ao mesmo tempo que rompemos mundo e tatuamos sentimentos uns nos outros e uns dos outros!
Aquele beijinho
Se me tirassem a escrita tiravam-me o ar. Felizmente, se não pudesse escrever poderia ler o teu blog que é como uma lufada de ar fresco...
Saudalunações
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