Quando se fala nos tempos de infância, falamos, inevitavelmente, de algo que ainda está em nós e que queremos conservar até ao fim. Falamos, forçosamente das nossas brincadeiras de miúdos reguilhas e de todas as vezes que os adultos nos ponham de castigo (merecido - agora, injusto - outrora). Falamos indirectamente de saudades. Do que queríamos recuperar mas não o fazemos porque «já somos demasiado crescidos para voltar a fazer as mesmas coisas», no entanto não «demasiado crescidos» para fazer outras adequadas à nossa idade. De quando corríamos pelos jardins daquela casa de bonecas e acábavamos sempre no chão, todos arranhados e com a roupa num belo trapo, de quando fazíamos competições para ver quem é que acabava de beber o sumo de laranja - ao lanche - primeiro, de quando riscávamos o chão com giz para jogar à macaca ou mesmo quando pegávamos num lençol e amarrávamos às duas árvores que se encontram à entrada da casa e, mal nos sentávamos, o lençol ia bater ao chão ficando apenas uma ponta semi-presa. Falamos das nossas «exposições» (com bilhetes e hora marcada!), e dos jogos da forca ou das nossas tardes dormidas no sofá, enquanto eu apoiava a minha cabeça no teu ombro e tu pousavas a tua na minha. Bonito quadro, bonita manifestação de amizade e carinho.
É impossível recuar uns nove ou dez anos sem referir os momentos em que nos deitávamos no jardim e começávamos o nosso e tão nosso «Era uma vez...» ou simplesmente queixávamo-nos das injustiças de que éramos vítimas, ou - e o melhor de tudo - quando partilhávamos segredos de crianças, puramente inocentes, apaixonantemente ingénuos e simultaneamente especiais para ficar dentro das «quatro paredes da nossa amizade.»
Hoje podemos dizer que não perdemos, de todo, esta cumplicidade que nos unia, muito menos o carinho que ainda sentimos um pelo outro, mas será que ainda podemos recuperar um pouco da nossa inocência e marcar, desta vez sem espaços, os caminhos que prometemos traçar juntos?
«Não vás por aí sozinho. Quero ir contigo.»

6 comentários:
Este blog já precisava de uma coisa destas.. :P AHAH x)
Txi amo! :D
Snif...tenho tantas saudades desses tempos de infância, em que o futuro parecia tão longe, em que os dias pareciam tão mágicos por serem preenchidos de brincadeiras. E agora? Agora temos é responsabilidades e se passamos por um bocadinho a barreira da maturidade já somos infantis. E isso é mau? Eu acho que não... portanto... a quem me chama infantil *língua de fora* Quem diz é quem eeeeeeeeeeeé =')
É sempre possível trazer de volta os sonhos e desejos da infância. É preciso é querer...
Beijinhoooo
Hum, tão novinha e já com nostalgia do passado?
Gostei muito do final...
Beijinho.
texto digno da minha autora preferida :') * ly
Que faço eu na rua deserta do amor
Não há uma só porta aberta pró amor
Por vezes lá se abre uma frincha de nada
Na porta do amor que eu queria escancaradaEsta é para ti!!
Belas recordações que fizeram recordar algumas também! Só não tive um caso desses de amor, lol! Belo texto!
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