
Estava eu a passear à berma da estrada para tentar encontrar inspiração para os meus textos como colunista no jornal da cidade. Sentei-me num banco de jardim decidida a que as palavras voassem até mim como um avião voa para a terra do destino. Fixei o meu olhar na esplanada Ambrósia, numa mesa redonda em que estava um jovem a beber uma cola. Encontrava-se aparentemente deprimido, ferido, olhando para o vazio como se o que se passasse à volta dele, as pessoas que andavam num passo apressado, pertencessem a outro mundo, a outra realidade. Levantei-me decidida a me sentar na mesa do jovem, a pedir a mesma bebida que o jovem e a olhar nos olhos do jovem e fazer soltar as palavras enforcadas na sua garganta. Quando me sentei, apenas me lançou um olhar rápido, frio e triste. Não pronunciou nenhuma palavra nem nenhum som. Não esperei mais tempo. Comecei a desbobinar perguntando o que lhe fazia ficar em tão baixa auto-estima.
- Há dois dias atrás a vida corria-me mal. Na escola tudo mal, comigo mesmo tudo péssimo, com os amigos também. E para não bastar, decidi baldar-me ao último tempo da tarde. Fui para casa, tomei um banho e vesti-me como nunca me vesti. Peguei no carro do cota e fui ter com uns conhecidos a um bar que não conhecia bem, mas que tinha um ambiente agradável, no meu ponto de vista. Ficámos lá a abanar o capacete e a beber uns copos até bem tarde. Quando chegou a hora de bazarmos, eu é que fui encomendado para levá-los a casa, visto que não tinham carro. Em toda aquela euforia dentro do carro do cota, com música aos altos berros, danças dentro do carro, conversas paralelas e pouco mais, nem me tinha dado conta na velocidade em que ia, nem para onde ia. Ia na faixa contrária, divertidíssimo com tudo o que se passava na caixa de quatro rodas, chocando contra outro carro.
Acordei horas depois no hospital, com canos no nariz e com a cara cheia de sangue pisado, nódoas negras e pensos rápidos. Perguntei à enfermeira pelos meus amigos. Ela, sem desviar os olhos do relatório médico, disse-me muito secamente : '' as duas raparigas tiveram morte imediata, e o outro rapaz está em coma. Você está prestes a ter alta, não se preocupe '' . '' Não se preocupe?!'' Como é que não podia preocupar-me, se eu, sim eu, MATEI duas pessoas e pus uma em estado crítico? Experimentei perguntar pelo senhor outro carro. A mulher respondeu-me da mesma maneira : '' O senhor já saíu do hospital, mas o carro não prestou para mais nada ''. As lágrimas vieram-me aos olhos... não sei se de pena, de raiva ou de tristeza. Queria sair daquela cama de hospital o mais rápido possível.
Ontem, quando saí, passei na rua onde se tinha dado o acidente e vi que muita gente parava e deixava ramos de flores roxas e brancas e também velas. Percebi de imediato que aquela notícia não tinha passado ao lado da sociedade e muito menos era desconhecida. Então, peguei em todas as flores que lá encontrei e escrevi no chão '' Quem me dera que tivesse sido eu. Peço desculpa ! '' e caminhei sem sequer ter coragem de olhar para trás, com as lágrimas a me deslizarem pela cara. (respondeu ele com os olhos cheios de lágrimas e a me pedir, indirectamente, ajuda)
- Há dois dias atrás a vida corria-me mal. Na escola tudo mal, comigo mesmo tudo péssimo, com os amigos também. E para não bastar, decidi baldar-me ao último tempo da tarde. Fui para casa, tomei um banho e vesti-me como nunca me vesti. Peguei no carro do cota e fui ter com uns conhecidos a um bar que não conhecia bem, mas que tinha um ambiente agradável, no meu ponto de vista. Ficámos lá a abanar o capacete e a beber uns copos até bem tarde. Quando chegou a hora de bazarmos, eu é que fui encomendado para levá-los a casa, visto que não tinham carro. Em toda aquela euforia dentro do carro do cota, com música aos altos berros, danças dentro do carro, conversas paralelas e pouco mais, nem me tinha dado conta na velocidade em que ia, nem para onde ia. Ia na faixa contrária, divertidíssimo com tudo o que se passava na caixa de quatro rodas, chocando contra outro carro.
Acordei horas depois no hospital, com canos no nariz e com a cara cheia de sangue pisado, nódoas negras e pensos rápidos. Perguntei à enfermeira pelos meus amigos. Ela, sem desviar os olhos do relatório médico, disse-me muito secamente : '' as duas raparigas tiveram morte imediata, e o outro rapaz está em coma. Você está prestes a ter alta, não se preocupe '' . '' Não se preocupe?!'' Como é que não podia preocupar-me, se eu, sim eu, MATEI duas pessoas e pus uma em estado crítico? Experimentei perguntar pelo senhor outro carro. A mulher respondeu-me da mesma maneira : '' O senhor já saíu do hospital, mas o carro não prestou para mais nada ''. As lágrimas vieram-me aos olhos... não sei se de pena, de raiva ou de tristeza. Queria sair daquela cama de hospital o mais rápido possível.
Ontem, quando saí, passei na rua onde se tinha dado o acidente e vi que muita gente parava e deixava ramos de flores roxas e brancas e também velas. Percebi de imediato que aquela notícia não tinha passado ao lado da sociedade e muito menos era desconhecida. Então, peguei em todas as flores que lá encontrei e escrevi no chão '' Quem me dera que tivesse sido eu. Peço desculpa ! '' e caminhei sem sequer ter coragem de olhar para trás, com as lágrimas a me deslizarem pela cara. (respondeu ele com os olhos cheios de lágrimas e a me pedir, indirectamente, ajuda)
Naquele momento, achei que já tinha inspiração suficiente para escrever a minha crónica.

6 comentários:
Simplesmente espectacular. Até a mim me vieram as lágrimas aos olhos.
Bom trabalho Marta :)
Um beijo*
Deve de ser dos melhores textos que tens :), mas ja o conhecia :p, haha.
Amo-te @
Cada vez fico mais surpreendida...Tu nasces-te pra isto!! Sem duvida!! Tanto o texto como o proprio site tao PERFEITOS!! ESPECTACULAR mesmo!! Continua assim!! Bjos Martinha.
Nem tenho Palavras...
Enfim tens ca uma cabecinha!
se continuares assim tens FUTURO!
Nunca desistas!
Tens tudo nas TUAS mãos!
Boa sorte!**
tudo ESPETACULAR!
beijos muito grandes!
adoro-te muito**
Obrigada pelo apoio de todas vocês. Beijo grande
arrepiei-me...
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