quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Parte I
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Carta à Mãe
(não conheço o autor da fotografia)Encontrei este texto, feito por mim claro, numa caixa onde guardo todos os textos que escrevo e ficam espalhados por aí, numa folha de papel qualquer
Funchal, 11 de Agosto de 2007
Querida Mãe,
Onde estás? Partiste sem bilhete de regresso e com o destino resumido a uma incógnita. Não sei onde te procurar. Onde te encontrar. Por isso acho esta carta inútil. Vou dá-la ao carteiro e a única coisa que ele me vai perguntar é: O endereço, menina Mi, esqueceu-se do endereço. E a única coisa que eu vou responder será: Deite ao vento. Ficará com uma expressão um tanto ou quanto espantada e interrogativa. Paciência!
Preciso de alimentar este vício que nos põe lado a lado, de mãos dadas. Embora este vício seja apenas meu. Parece que não queres ficar “viciada”…
Não compreendo o teu silêncio, a tua ausência.
Naquele dia escuro e frio de Inverno aqueceste o meu leite que costumo beber de manhã, deste-me um beijo repenicado na testa e disseste Até logo. Foste para o trabalho como de costume. Mas e depois? Esperei-te à janela e tu nunca mais voltaste. Tens um “até logo” muito esquisito, Mãe. Tão demorado…
Olhei para a lua que me iluminou a cara e fez com que as minhas lágrimas se assemelhassem a cristais. Mas não me importei. Senti-me triste por não te poder abraçar e beijar a tua face rosada. Por não te poder apertar a mão...
O carteiro está quase a passar e quero entregar esta carta o mais rapidamente possível.
Responde-me, por favor!
Um beijo da tua,
Mi
domingo, 8 de junho de 2008
E depois...

quinta-feira, 10 de abril de 2008
A valsa

Tudo brilhava. Os vestidos. Os cabelos. Os sorrisos. As luzes. Os olhares. Ao fundo da sala, a música tocava baixinho e ia, gradualmente, aumentando de volume. Estava frio. Tinha acabado de chover, por isso, as pessoas encontravam-se todas naquela sala enorme onde era difícil atravessá-la sem esbarrar naquelas entidades que tentavam se afirmar desse por onde desse.
Quando cheguei fiquei à porta. Nunca tinha visto tanta beleza, tanto glamour, tanta sensualidade junta. Definitivamente, estava num mundo que não era o meu. Mas sentia-me bem, na verdade.
Queria apanhar um pouco de ar fresco e notei que ao pé da banda, um pouco mais no lado direito, havia uma pequena porta de vidro aberta que dava para uma varanda com vista para os grandes jardins e para o lago que reflectia a lua cheia. Pensei que seria uma excelente ideia ficar por lá uns momentos, enquanto a festa se desenrolava atrás de mim.
Sabia que tinha que passar no meio de toda aquela gente, tinha que ter cuidado com os vestidos das outras senhoras, com as bandejas de champagne que passavam por cima das nossas cabeças... Mais ainda, tinha que ter cuidado com os meus sapatos e com o meu vestido cor púrpura, recheado de uma espécie de fitas brilhantes, para não tropeçar e fazer má figura.
Já mal se ouvia a música. O barulho de fundo eram gargalhadas, conversas intercaladas com os tilintares das taças de champagne e ainda o engraçado barulhinho que os sapatinhos de salto alto faziam ao bater no chão. Respirei fundo e sorri.
Quando comecei a caminhar na direcção da varanda, uma leve brisa roçou os meus cabelos e beijou-me a cara. Sentia-me feliz. Caminhava como se não houvesse nada para além de mim e dos meus pensamentos e deixava-me seguir pela música que, entretanto, soava baixinho.
A valsa tinha começado. As conversas e as bebidas tinham ficado agendadas para depois da dança que esperava ladies and gentlemans. O maestro coordenava a banda com os seus gestos incompreensíveis e a música aumentava de ritmo e de som. As pessoas iam de encontro aos seus respectivos pares para o passinho de dança a meio do salão. Se não queria esbarrar naquele look très chic, tinha que me despachar. Tocavam Paganini e eu murmurava, talvez uma letra improvisada, para aquela melodia. Ria de mim mesma. Nunca me tinha sentido tão feliz nos últimos tempos. Queria aproveitar aquele momento.
Uns dançavam e outros conversavam nas mesas que se espalhavam pelo salão. Estava quase a alcançar a varanda e toda aquela confusão de "Com licença!" "Ups, peço desculpa!" estava a chegar ao fim. Até que sinto um toque leve na minha mão e oiço uma voz bastante familiar e que me deu saudades de outros tempos. Parei. Voltei-me e o meu olhar cruzou-se com um olhar meigo e há muito perdido no tempo. Um olhar que já não via desde aquela tarde de Janeiro, na rua do café do costume. Naquela tarde em que senti que tinha sido o fim. Suspirei. Não poderia acreditar no que os meus olhos viam e para quem estava a sorrir.
Deu-me um beijo delicado na mão que tinha presa à sua e continuava a olhar para mim.
- A menina dança?
Soltei uma gargalhada e colei a minha mão à sua. Coloquei a outra no seu ombro. Os olhares voltaram a se cruzar. Senti a mão firme nas minhas costas e as minhas pernas a darem seguimento àquela dança que nem eu nem ele sabíamos de onde vinha. Mas não queria descobrir o impossível. Mantive a mão apertada naquela palma que não via há muito tempo e senti, de novo, aquela tez macia. Não dissemos mais nada. O nosso olhar falava por si.
E dancei.
Dancei Paganini como nunca tinha dançado.
domingo, 6 de abril de 2008
E eu sorri
(foto de Germina)quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
"Teu"
Espero por ti às 21:00h
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Prelúdio de um beijo

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Há muito tempo que ansiava escrever esta carta. Mas não tinha coragem. Cobardia. Sei que estás distante e que eu não te vejo há uns longos quatro anos. Culpa minha? Sim. Assumo. Ainda me lembro daquela noite fria de Inverno em que te dei um beijo na testa e saí porta fora deixando para trás a dor e o pânico que estava a sentir. Apenas me olhaste de relance e retomaste a leitura do teu jornal enquanto davas um gole no teu café com leite. Sabias que me ia perder e que nesse momento só iria querer abraçar-te e chorar no teu peito. Não tentaste me avisar. Não te compreendia. Aliás, achava que tu é que não me compreendias. Ou se calhar tentaste me avisar mas eu é que não percebi. Não sabia nem sei interpretar mentes e expressões. Devia era de ter aprendido contigo. Isso é o que tu mais sabes fazer. Lias-me as expressões e os traços do rosto e descodificavas todas as mensagens. Impressionante. Nunca conheci ninguém que tivesse esse dom. E dizem que tenho uma face quase sem expressão, difícil de interpretar e mesmo assim tu sabias sempre. Sempre mesmo.
Durante o longo caminho que obriguei a minha pessoa a percorrer, conheci quem me amasse e quem me quisesse amar. Amei também. Sofri e voltei a renascer. Fiz amigos para a vida e caí sob os piores espinhos... Que te posso dizer? A vida é mesmo assim e fizeste-me falta durante todo esse percurso. Mas se te dissesse isto tudo cara a cara a tua resposta seria um encolher de ombros. Parte-me o coração sempre que o fazes. Parece-me que só vives para a tua colecção de moedas. E parece que ficas mudo sempre que tento manter uma conversa contigo. Não gosto disso. Acredito, não obstante, que gostas e orgulhas-te de mim à tua maneira.
Imagino-te todas as noites na tua cadeira de baloiço a contemplar a lua e a injuriar contra tudo e contra todos. É típico. Há quem diga que tens um ar frio e uma personalidade um tanto ou quanto difícil. E é verdade, tenho que aprovar. Mesmo assim, admiro-te porque cuidaste de mim como se fosse uma moeda tua. Cuidaste de mim com todo o carinho e amor do mundo e estou-te eternamente grata. Uii, mas comparar-me com uma moeda é demasiado forte ou demasiado banal. Nem sei. Mas sei que esta comparação está bem feita e prefiro pensar assim, porque é da maneira que me convenço que me amaste e continuas a me amar. A me examinar sempre que olhas para a minha fotografia que tens na tua mesinha de cabeceira (ainda a tens?) e a pensar em mim sempre que te contam as asneiras que os filhos dos outros fazem. Sou igual a eles, dizes tu. Certamente sou diferente. Creio que sim. É o que todos me dizem, mas tu tens que marcar a diferença, não é verdade? Não faz mal. Já lá foi o tempo em que doía cá dentro, mas eu gosto de ti assim. Também foi assim que sempre te vi e lidei contigo...
Enfim, a caneta já está ficando gasta e o papel chegando ao fim.
Suponho a tua reacção ao ler esta carta. O habitual encolher de ombros... não importa.
Tenho saudades tuas e senti-me muito melhor ao gravar neste pedaço de papel o que queria que nunca se apagasse: a tua memória. Por mais esbatida ou abstracta ou até... inconcreta?! que seja.
Bom Natal, Pai.
Amo-te.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Ao som de...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Que importa?

terça-feira, 9 de outubro de 2007
Espelho meu, espelho meu...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Dançar à chuva
Rodopiar de propósito para a branca e longa saia seguir os meus movimentos e provocar um efeito diferente e bonito. Danço mesmo descalça, para sentir a água debaixo dos meus próprios pés. Quanto aos meus caracóis... dançam com a chuva, mais rebeldes que nunca.
A vida é assim mesmo.
É sorrir, é sonhar, é dançar.
E eu danço mesmo à chuva.
Mesmo à chuva...
sábado, 25 de agosto de 2007
Basta!

domingo, 5 de agosto de 2007
Ao Luar...

Mas a felicidade não se vê nem se cheira. Só se sente. No entanto, vagabunda como sou, sinto-a quando o meu terno olhar se cruza com os que por mim passam num passo tão apressado que parece que a calçada lhes foge dos pés. Sinto-a quando os sonhos e eu somos um só, como a lua e o sol durante um eclipse. Como o mar e a areia na praia deserta. Como os casais de apaixonados quando se abraçam.
Apesar de solitária, a minha força de viver não diminui. Comparada com outros, eu enfrento todos os dias a fome, a solidão, o vazio enquanto há quem fuja disto a sete pés.
Eu sou uma vencedora e estou habituada a vencer. E assim será até ao fim dos meus dias. Porque senão perco a luz do olhar.
domingo, 22 de julho de 2007
Quem me dera que tivesse sido eu. Peço desculpa !

- Há dois dias atrás a vida corria-me mal. Na escola tudo mal, comigo mesmo tudo péssimo, com os amigos também. E para não bastar, decidi baldar-me ao último tempo da tarde. Fui para casa, tomei um banho e vesti-me como nunca me vesti. Peguei no carro do cota e fui ter com uns conhecidos a um bar que não conhecia bem, mas que tinha um ambiente agradável, no meu ponto de vista. Ficámos lá a abanar o capacete e a beber uns copos até bem tarde. Quando chegou a hora de bazarmos, eu é que fui encomendado para levá-los a casa, visto que não tinham carro. Em toda aquela euforia dentro do carro do cota, com música aos altos berros, danças dentro do carro, conversas paralelas e pouco mais, nem me tinha dado conta na velocidade em que ia, nem para onde ia. Ia na faixa contrária, divertidíssimo com tudo o que se passava na caixa de quatro rodas, chocando contra outro carro.
Acordei horas depois no hospital, com canos no nariz e com a cara cheia de sangue pisado, nódoas negras e pensos rápidos. Perguntei à enfermeira pelos meus amigos. Ela, sem desviar os olhos do relatório médico, disse-me muito secamente : '' as duas raparigas tiveram morte imediata, e o outro rapaz está em coma. Você está prestes a ter alta, não se preocupe '' . '' Não se preocupe?!'' Como é que não podia preocupar-me, se eu, sim eu, MATEI duas pessoas e pus uma em estado crítico? Experimentei perguntar pelo senhor outro carro. A mulher respondeu-me da mesma maneira : '' O senhor já saíu do hospital, mas o carro não prestou para mais nada ''. As lágrimas vieram-me aos olhos... não sei se de pena, de raiva ou de tristeza. Queria sair daquela cama de hospital o mais rápido possível.
Ontem, quando saí, passei na rua onde se tinha dado o acidente e vi que muita gente parava e deixava ramos de flores roxas e brancas e também velas. Percebi de imediato que aquela notícia não tinha passado ao lado da sociedade e muito menos era desconhecida. Então, peguei em todas as flores que lá encontrei e escrevi no chão '' Quem me dera que tivesse sido eu. Peço desculpa ! '' e caminhei sem sequer ter coragem de olhar para trás, com as lágrimas a me deslizarem pela cara. (respondeu ele com os olhos cheios de lágrimas e a me pedir, indirectamente, ajuda)
Naquele momento, achei que já tinha inspiração suficiente para escrever a minha crónica.

