quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sinto-me um verdadeiro lixo

Na semana passada, a minha professora de Português deu-nos a tarefa de realizarmos um texto argumentativo cujo tema deveria incidir sobre algo polémico. ''Óptimo'' - pensei. Fiquei radiante porque há muito tempo que não tocava neste tipo de texto e apetecia-me mudar um pouco de género e, consequentemente de "público".
Mas, este trabalho e pesquisa e risca para aqui, risca para acolá valeu-me um mísero Bom, que em termos de números corresponde a um mero 17/ 17,5.
Ora, muito bem. Senti-me frustrada porque achava que o texto estava em muito boas condições e que cumpria todos os objectivos propostos pela professora. Além do mais acho que cumpro todas as regras e objectivos do texto argumentativo. Posso estar a ser muito perfeccionista mas fiquei mesmo numa de "Porra! Esforcei-me para ter esta nota de merda"
Aqui têm o texto:

Deixar morrer é o mesmo que matar?

O que é a vida? O que é a morte? Quem é o ser humano? Provavelmente, muitos de nós sorririam e recusar-se-iam a responder a estas interrogações um tanto ou quanto retóricas. Retóricas porquê? Porque, de certo, o locutor não estaria à espera de respostas. Saberia (in)conscientemente que a maioria das pessoas acharias as questões deveras estranhas.
Mas, "vida", "morte" e "ser humano" são as palavras-chave para a compreensão desta "morte sem dor" como lhe costumam chamar.
A eutanásia é, de facto, o procedimento que antecipa a morte de um doente incurável, para lhe evitar o prolongamento do sofrimento e da dor.
No entanto, será a eutanásia moralmente aceitável? A maioria das pessoas poderá dizer que sim porque é a melhor forma de pôr um ponto final a este problema (aparentemente) sem solução. Mas, talvez essa resposta seja pronunciada sem qualquer sentimento, de ânimo leve, sem pensar nas consequências que isso traria.
Vejamos o lado dos médicos. Geralmente, estes discípulos da ciência do corpo humano estão em unânime, isto é, acham que nenhum ser humano deve ser "obrigado" a sofrer, uma vez que a doença que levou o significado da palavra "vida" por completo - sem dó nem piedade-, faz com que este não viva nem sequer sobreviva. Faz com que este sofra! Há ainda aqueles que apoiam a tese de que a eutanásia não é uma forma de ter uma "morte digna".
Ora, "Morte com dignidade" deve ser o slogan que mais vezes nos aparece à frente e que nos faz pôr a massa cinzenta a funcionar. Mas por que é que insistem nesta questão da dignidade, quando nos deparamos com exemplos como este, que fala do caso de Jack Kevorkian - cujo epíteto é "Doutor da Morte"? Kevorkian é o mais conhecido activista e praticante da eutanásia na América. Muitos desgraçados - como eu lhes chamo -, foram gaseados até à morte com monóxido de carbono e alguns dos seus corpos foram deixados em carros abandonados como se de tralhas ou antiguidades se tratassem. E agora eu pergunto: São estes actos dignos? Penso que não. Qual é a dignidade de um ser humano que, apesar de inválido ou (in)consciente se depara com a morte e não tem o simples poder de decisão? Qual é a dignidade ou, quiçá, a consciência de quem aceita, despido de preconceitos, esta questão tão delicada que acaba com a vida de um ser humano? Um ser humano possivelmente feliz, humilde e até saudável! Tão saudável até o dia em que a doença lhe bate à porta e lhe sussurra "preciso de ti", não deixando margens para decisões.
Vendo, agora, o lado daqueles que são vítimas de doenças em estado terminal, que são os que mais sofrem com todas estas (in)decisões, e tendo como plano de fundo o estudo realizado pela Universidade de Medicina do Porto, anunciado no Jornal de Notícias (por Artur Machado), 50% dos idosos aceitam de braços abertos a eutanásia. E porquê? Talvez porque têm medo de sofrer. Talvez porque muitos deles não querem ser fardos para a família nas alturas em que de si, já nada podem dar.
Então o que fazer?
Em suma, defendo que nenhum Homem tem o direito de roubar a vida a um outro. No entanto, esta decisão depende da vontade, dos casos e da consciência de cada um.

E então? Estará assim tão mau que nem dá para um 18 ou um 19?! Ou estarei a ser demasiado ambiciosa?
Para além do mais, tive que ouvir a opinião (que respeito e compreendo) de ''O que se passa? Por que é que não tiveste 19?''
Isso também queria eu saber!

4 comentários:

Anónimo disse...

De facto há com cada professor.....sinceramente já sabes o q penso a cerca dos teus textos..simplesmente são Perfeitos!! Já me aconteceram coisas do género, apenas fui tentando fazer cada vez melhor..pelo menos, até agradar a "querida" professora. :x

Beijões*

Anónimo disse...

Eu dava-te 20. Mas isso sou eu. Ainda bem que eu nunca espero muito do meu trabalho. Por isso sou quase sempre suspreendida pela positiva. Mas não te posso dizer para seres como eu, porque não há como te obrigares a ti própria a não esperar muito de um trabalho que te deu... trabalho.
Deixa lá. Um dia há-de vir alguém que vai apreciar realmente o que escreves. Aí lembraste dessa professora e ris-te...

lunabeijinho

Anónimo disse...

Ela pode ter-te tirado pontos na nota, mas nao te vai tirar o esforço, a tua qualidade do texto e principalmente deves sentir que realizaste os teus objectivos, e isso deve fazer-te sentir bastate bem , mais uma vez conseguinte como sempre fazes :)

áh e quanto ao texto, já tive oportunidade de ler na minha mão e sabes bem como gostei ;p *

Anónimo disse...

se isso da um 17 o meu no teste dá uma negativa ;x esta gente tem cada uma..

beijinho marta.. n t preocupes pa proxima ela vai ser obrigada a t dar um vinte!
love you @@