e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura.
Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o furtuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis.
Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.
José Tolentino Mendonça

3 comentários:
Que bom teres aqui lembrado este grande vulto da cultura portuguesa de hoje, que não só é bom na poesia; com ele a religião é tão simples e faz tanto sentido...
Beijinhos.
A algum tempo que já não lia nada de José Tolentino Mendonça, adorei, é muito bom.
Beijos..
que lindo :') *
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