quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura.

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o furtuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis.

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.


José Tolentino Mendonça

3 comentários:

João Roque disse...

Que bom teres aqui lembrado este grande vulto da cultura portuguesa de hoje, que não só é bom na poesia; com ele a religião é tão simples e faz tanto sentido...
Beijinhos.

Élio - Filomena disse...

A algum tempo que já não lia nada de José Tolentino Mendonça, adorei, é muito bom.

Beijos..

Sandra disse...

que lindo :') *