Está escuro lá fora. Aqui dentro, no enroscar de uma manta quente e vermelha, assiste-se a um cinema mudo. Um constante (ir)romper de slides saídos dos recantos da memória. Sem intervalo. Cada imagem uma história. Cada história...
A única luz presente é a de um pequeno candeeiro que já conta alguns anos. Projecta sombras nas paredes de um (possível) abismo fingido. Num imaginário que por vezes parece demasiado real. O silêncio deixa de existir, quando os suspiros se soltam. E mais uma vez me afundo nas futilidades de um era uma vez eterno.
Mais uma noite longa. Mais uma. Igual a tantas outras. E eu sempre embrulhada na mesma incerteza que me consumiu uma vez e não mais me largou.
Está escuro lá fora. E a única luz presente nesta sala vai, aos poucos, perdendo a vontade de (sobre)viver...

2 comentários:
Texto muito bem escrito, mas um pouco pessimista, ou estarei enganado?
Beijinho.
A luz nunca vai perder a vontade de (sobre)viver angi, NUNCA!
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