Nunca nos apaixonamos pela pessoa certa. Talvez por ser demasiado "perfeita" para nós. Há sempre uma vontade de desafiar o que nada tem a ver connosco ou com o nosso "protótipo de rapaz perfeito". Há sempre uma vontade de contrariar esta realidade. Talvez por assim conseguirmos dar e receber algo, aprender com isso. Por existir uma complementaridade que em pessoas demasiado iguais não existe. Os opostos atraem-se, dizem. E cada vez mais estou certa disso...
* posso estar profundamente errada, mas hoje acredito nisto (piamente, arriscaria dizer)...
* o título não tem nada a ver (pelo menos directamente) com o post

4 comentários:
em vez de "*" metias "ps." okix? haha :)
huum, talvez tenhas razão baby
lyy
Acho que vai aí alguma confusão...
Eu apaixonei-me pela pessoa certo e estou seguro disso; pois não somos iguais, decerto não somos perfeitos e somos complementare, claro. Por isso tudo é a pessoa certa; só não seria se pusesse outra hipõtese e isso é impossível!!!
Beijinhos.
E ainda bem que existe o "diferente". o "complementar", a "partilha" em ambos. É importante sempre aprender com quem se ama...
Beijo
Ora. Só existe o "igual" porque existe o "diferente".
Essa relação dialéctica é que cria identidades (como me disse a Catarina, "jamais saberíamos onde acaba o nosso pé se não encontrasse-mos o começo do chão")
Hannah Arendt mostrava ao mundo a fantástica ideia (até porque óbvia e simples(sendo que o simples é sempre o mais "complicado" de atingir)) que "sempre que nasce alguém, nasce alguém de novo". Não nasce um "oposto", nem um "igual", nem um "preto", nem um "judeu", mas alguém de único; como iniciava Bill Bryson no "Breve história de quase tudo", "uma combinação única de triliões de átomos que nunca existiu nem nunca voltará a existir", alguém único!
Espero que seja aqui que as pessoas se movam para que se compreendam como diferentes, e que aprendam que têm de viver nessa complexidade.
Fora esta filosofia moral, tenho só a dizer que descobri que acima de tudo o que me fascina é o mistério (oposto é tb mistério). Fascina-me aqueles que não descodifico, aqueles que não consigo conceptualizar, não consigo agarrar com os meus padrões conceptuais. Esses/as sim, fascinam-me.
Lembro e deixo aqui para fundamentar a minha ideia:
"Se eu fosse cego amava toda a gente.
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gémea que nasceu sem vida, e amo-a a fantaziá-la viva na minha idade.
Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde moras, dize se vives ou se já nasceste.
Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos.
Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.
Eu amo aquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.
Eu amo os cemitérios — as lagens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim.
Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente."
Almada de Negreiros.
* ps * peço desculpa pela extensão do comentário, mas "deu-se-me esta vontade de rebentar".
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