
Ainda me lembro daquele amanhecer em que o meu pai me levou pela primeira vez a visitar o Cemitério dos Livros Esquecidos. Desfiavam-se os primeiros dias do Verão de 1945 e caminhávamos pelas ruas de uma Barcelona apanhada sob céus de cinza e um sol de vapor que se derramava sobre a Rambla de Santa Mónica numa grinalda de cobre líquido.
- Não podes contar a ninguém aquilo que vais ver hoje, Daniel. -advertiu o meu pai. - Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém.
- Nem sequer à mamã? - inquiri eu, a meia-voz.
O meu pai suspirou, amparado naquele sorriso triste que o perseguia como uma sombra pela vida.
- Claro que sim. - respondeu, cabisbaixo. - Para ela não temos segredos. A ela podes contar tudo.
- Não podes contar a ninguém aquilo que vais ver hoje, Daniel. -advertiu o meu pai. - Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém.
- Nem sequer à mamã? - inquiri eu, a meia-voz.
O meu pai suspirou, amparado naquele sorriso triste que o perseguia como uma sombra pela vida.
- Claro que sim. - respondeu, cabisbaixo. - Para ela não temos segredos. A ela podes contar tudo.
Carlos Ruiz Záfon, in A Sombra do Vento

7 comentários:
É um dos meus livros preferidos de sempre!! Ri e chorei e sonhei e divaguei e perdi-me nas suas páginas durante dois dias em que não consegui fazer mais nada senão ler... é sublime... ^^
Biju*
Muito bom, sim...
E dá vontade de ir a Barcelona...
Toda a gente diz maravilhas deste livro...
Beijinhos.
Oh, deve de ser lindo! Vou lê-lo um dia destes angi :D
beijinhoss angi @
Muito bom.
Beijos..
nao conhecia mas despertaste-me interesse.
beijinhos *
Já tenho o novo aqui a marinar para ser devorado em 3 dias! É um dos meus livros preferidos. Só apetece ler, reler e ler e reler...
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