Há sempre uma série de coisas que tenho que fazer ou ter. É como uma chama para me manter viva. Uma necessidade extrema de sentir, ainda que estupidamente ou inutilmente, alguma coisa nas minhas mãos, se é que isso é possível. E entenda-se «nas minhas mãos» como algo... hipotético, digamos.
Costumo admirar as pessoas mais improváveis. As que por alguma razão a distância impede de estarem comigo. As que a vida trocaram (-nos) os passos. As que contribuem para que o meu mundo fique totalmente do avesso. As que falam por meias palavras, mas sabem que sou boa entendedora e que fico satisfeita pela metade. (Não sou ambiciosa, não a esse nível.) As que me transmitem o mais puro e bonito dos sentimentos: a amizade. (No matter what!) As que sentem o que sinto, que pressentem o que eu pressinto e que criam um fio invisível que nos liga quase a toda a hora. Que percebem esta coisa do «querer é poder!». Costumo admirar essas pessoas. E gosto de o dizer. O melhor delas está nas coisas mais elementares. Adoro-as por isso. Por conseguirem se encaixar perfeitamente neste mundo de marionetas, tendo sempre «um pé no conto de fadas e outro no abismo». Apesar de parecer contraditório, acho que não há melhor sensação que essa. E elas sabem-no. Erram, perdem o norte vezes e vezes e vezes sem conta, temem, esperneiam, gritam, ficam entre a espada e a parede mais meia dúzia de vezes, o chão foge-lhes outras tantas e no fim... estão firmes. Com o mesmo objectivo (e às tantas com um outro que surgiu nos entretantos) e com o mesmo lema: «o importante é não desistir!» Partilham não só esta, como também a outra vertente. A dos momentos eufóricos, das vitórias e dos largos sorrisos. São autênticos cristais. E não os troco por nada.
Costumo admirar essas pessoas que apesar de sábias ignoram esse pequeno elemento que têm dentro de si e procuram sempre mais e melhor. Não se contentam com (tão) pouco e sonham chegar mais alto. Melhor, percebem - na totalidade - o que é esta coisa a que chamamos sonho. Debruçam-se e orientam-se por isso. Não vêem outra coisa à frente, exageradamente. Apaixonam-se pelo simples e tendem a tornar tudo muito complexo só para dizerem «Gosto de desafios. Gosto de me pôr à prova!». Irrealistas! Não interessa! Desesperadamente esperam pelo que ainda está para chegar. Não sabem o que é ou quem é, mas sinceramente estão a se lixar para isso. Dizem a e depois dizem b. Inconstantes! Não importa! Estranhos e extremamente confusos. Deixá-los! Ao menos têm algo que os move! Não há nada de mais enervante do que a preguiça voluntária. Não sabem onde irão parar; apenas têm a certeza que um dia terão o mundo nas suas mãos. Há melhor pensamento que este?
Costumo admirar estas pessoas que não sabem o que dizem ou o que escrevem. Apenas dizem-no e escrevem-no porque se sentem bem ao fazê-lo. Não têm limites estúpidos e irracionais. E odeiam aquela coisa do sim-porque-sim-e-porque-soa-bem. Grande treta! Não há coincidências! Nem há desencontros eternos! Chamem-lhes ingénuos. Também não interessa! Não conhecem nada do que a sociedade forçosamente lhes impõe e estão-se completamente nas tintas para isso. Regem-se pelas suas próprias regras e precisam de estrelas para os guiar a toda a hora. Não! Não é egoísmo! É algo muito mais forte que isso. Talvez alguma coisa que não tem designação. Querem, por vezes, que os outros sejam os seus espelhos. Só assim conseguem ver como tudo realmente funciona. «A verdade verdadinha» é que sem isso não se sentem realizados. É mais ou menos a história do «Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma». Pouco são sem essa coisa de dar aos outros e nada, ou quase nada, receber. Sabem o que perdem. Têm consciência de tudo isso, mas são incapazes de contrariar a sua própria natureza. E é aí que tudo assenta. É esse o ponto. É isso que é absolutamente apaixonante nelas. Esse misto de tudo com nada ou de nada com tudo. Esse género de diletantismo. Essa maneira estapafúrdia de viver!
Admiro estas pessoas, porra! E para mim não há nada de maior valor do que olhar nos olhos delas e ver que há um castelo em construção; que tanto está forte como depois está todo arruinado, mas que no fim de toda esta cena não haverá bala que o derrube! Que assim seja!
(As cortinas fecham-se.)

8 comentários:
é por estas e por outras que eu te admiro angi :) *
tá LINDO, mesmo! E obrigado por me dares a honra de ser a primeira a ouvi-lo :D you know.. @ ly
Divinal. tá mesmo muito bom...
Eu não consigo comentar isto como deve ser. É que eu não sei mesmo o que dizer, a não ser que nunca ninguém compreendeu tanto, nunca ninguém soube.
Alteraste qualquer coisa aqui, aqueceste, bolinho de arroz.
Um dia... :D
*
E eu te admiro minha linda....
Jokas grandes
Miguel
Magnífico! Até fiquei arrepiado... nem sei o que dizer...
"Costumo admirar estas pessoas que não sabem o que dizem ou o que escrevem. Apenas dizem-no e escrevem-no porque se sentem bem ao fazê-lo. Não têm limites estúpidos e irracionais. E odeiam aquela coisa do sim-porque-sim-e-porque-soa-bem."
Beijos..
Awww Marta!
Já tinha saudades destes teus textos e, deixa-me dize-lo, fizeste-o melhor que nunca!
Ontem tava a falar com o Miguel e ele assim: Já foste ver o último post da Marta? E eu: qual? e ele: Aquele enorme com mais de uma página!! E eu: Nao :o!! :) Ela voltou!
Então primeira coisa que fiz quando acordei foi ver o teu blog! AHAH :P
Não há nenhum comentário que pudesse equivaler a esse texto!
But anyways...
Sem alguma vez pensar que posso ser uma dessas pessoas tão importantes na tua vida (:P)... bem... a verdade, e tu sabes, és das pessoas que mais admiro e que cada dia que passa me deixam orgulhosa de as ter na minha vida! ("No matter what!!")
Não imaginas o quanto me deixaste overwhelmed quando ao telefone me disseste: "Estou tão orgulhosa de ti!" :D
Tudo o que eu posso dizer é "Keep dreaming" não no sentido irónico como já me disseram muitas vezes, mas no sentido literal! After all that's all we're made of...
Amo-te :D
Agora percebo...! ;)
Pelo caminho. Vamos sempre por esse caminho da loucura. Como gostamos da loucura!! ;)
Aquele grande beijinho
Em primeiro lugar, a tua escrita é que parece um cristal. A cada texto vai-se transformando num diamante.
Em segundo lugar, concordo com cada palavra, com cada vírgula do que escreveste. Viver sem limites é uma das melhores sensações que existem. Sim, também eu sou inconstante, indecisa, insatisfeita. Escrevo porque sim. Escrevo mesmo que não sinta, sinto mesmo que não escreva. Vivo com um pé no abismo e outro num conto de fadas. Mas de que vale isso a pena? Vale porque há pessoas como tu, com quem partilhar. Os sucessos, os insucessos. Tudo, tudinho. Mas, acima do tudo, partilhar a amizade e os sorrisos.
Beijo*
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