sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Que importa?


Entro naquele que já é o meu refúgio. Escuro e com uma pilha de livros há espera do meu toque para folhear todas aquelas páginas e me entregar a cada palavra, a cada linha, a cada sinal de pontuação. Sento-me de perna cruzada no cadeirão mais próximo onde uma réstia da lua apenas consegue iluminar metade da minha face. Puxo um cigarro e fico assim, durante alguns minutos, a meditar.
As paredes do abismo, brancas como o cal, surgem na minha cabeça. Sufocam-me. A cada dia que passa, sinto-as mais próximas da mesinha que está no centro da suposta sala. E sinto que se der um passo à frente... catrapum, era uma vez. Se der um passo atrás fico entre a espada e a parede. Imagino até as gotas de suor que me cairão face abaixo. E mesmo no interior dos sonhos só consigo ouvir as paredes do abismo. Gritam! Bradam!
Mas não, não. Semicerro os olhos e faço mais uma bola de fumo. Porquê? Silêncio... silêncio. Estarão as palavras gastas? Não me parece. Assaltam-me o pensamento, até.
A lua está cheia. Hoje de manhã não te ouvi na rua mas nem isso significou algo para mim. Prefiro ficar sozinha. Talvez sozinha e perdida me recorde de ti com o devido sentimento. Sim, de ti.
Tenho que te dizer que já não voo por cima das nuvens nem à volta das estrelas. Nem as palmas das minhas mãos se conheço! Mas sabes, nem isso me afecta. O meu único vício é o cigarro. Companheiro fiel de todas as horas e segundos. Veneno, eu sei. Que importa?
Lembro-me do corredor do hospital. Que tédio! Lembro-me das palavras que murmuraste antes de te olhar nos olhos. Lembro-me de cada gesto teu, de cada traço do teu rosto, da expressividade do teu olhar. Podia até ler a tua mente. Tenho conhecimentos suficientes para isso, mas... para quê? Isso não traria de volta a felicidade nem a pureza tua alma. Sim, já te tinhas perdido naquela altura. Olhavas para mim e era como se me visses pela primeira vez. Não me conhecias. Não sabias o meu nome. Não sabias que eras importante para mim. Não sabias nada. Não imaginas a dor que isso me provocou. Foi como se me tivessem dado um tiro que acertou em cheio no coração. E mesmo assim, mesmo assim agarraste a minha mão e tiveste medo que partisse.
Mas eu não parto, meu amor. Apesar de o mundo ter desabado em cima de mim no momento em que me perguntaste quem eu era... Como é que...? Não sei. Respondi-te apenas que era o teu anjo. Fiquei na dúvida se me tinhas percebido ou se me acharias louca. Mas não importa.
Aliás, já nada importa.

11 comentários:

Sandra disse...

Haha, baseaste-te na ideia daquele texto do meu blog, mas fizeste imensamente bem, tá mesmo LINDO :'D.
Aliás como todos os outros.

''Respondi-te apenas que era o teu anjo.''

Sempre o foste, e sempre o serás :)

Amo-te, sabes disso :D.
sempre aqui @ angel

Anónimo disse...

Palavras para quê????!!!!!

Está simplesmente e únicamente perfeito.

Bjão*

Anónimo disse...

texto lindo * (:

Anónimo disse...

Marta :O Este texto tá um espectaculo :D:D
Tens muito talento :P*

Anónimo disse...

cativante desde a primeira à última palavra.

Anónimo disse...

i fez-se silencio nos meus pensamentos enquanto lia o teu texto.. parecia k cada palavra (tirando o cigarro) podia tar a escrever sobre mim.. ;\...'Como é que...?'..não sei mesmo..

thanks por tudo, adoro-te @

Anónimo disse...

Esta perfeito, amo!
Nao sei ao certo o que tem este texto, sei apenas que me prendeu de tal maneira, na minha opiniao um dos teus melhores textos! :D

Amo-te querida @

Anónimo disse...

Tenho que te dizer que já não voo por cima das nuvens nem à volta das estrelas. Nem as palmas das minhas mãos se conheço


LINDO! ;D***
gostei mto
bjos martinha

Anónimo disse...

uso as tuas palavras ja tao conhecidas UAU!

Anónimo disse...

Muito muito bem escrito =D

Bom resto de fim de semana...

Saudalunações

Kokas disse...

De salto em salto, malmequer em malmequer... aqui vim parar pela mão amiga da Mary Mary.

Logo que começo a ler salta à vista uma escrita descritiva, muito jornalística... com respeito pelo detalhe, amor pelo ritmo. Mas há mais aqui do que boa escrita. Confesso que me vou debruçar um pouco mais, até porque parece que temos muita coisa em comum...

A minha família é madeirense e eu vou de férias para Porto Santo desde miúdo. eheheh

:P
Aquele beijinho