domingo, 12 de outubro de 2008

A polémica da semana

Como toda a gente sabe, os senhores deputados desaprovaram o casamento entre homossexuais. Porquê? Não sei. Se estou a favor? Completamente. Porquê? Desta vez sei. Porque, tal como as outras pessoas, têm o direito de ter uma vida conjunta usando o casamento, se assim desejarem. São seres humanos também, e como tal, os direitos destes devem ser iguais aos dos heteros. Cada um é livre de fazer o que bem entender da sua vida e, claro, vivê-la à sua maneira. Sem rodeios e sem tabus. A verdade é que, no meu ver, os homossexuais conseguem viver mais intensamente o dito "amor" porque, mais uma vez a meu ver, gostam de aproveitar cada momento que desfrutam com a pessoa amada. Chamaria-lhe amor extremo. No bom sentido claro. Obviamente que não são uns papéis que vão mudar essa maneira de viver e obviamente que não é preciso casar para atingir a felicidade. Mas, mesmo assim, devia ser um direito. Devia de ser permitido. Não é crime. Não incomoda ninguém. É apenas uma questão de igualdade de direitos. E juro que não percebo o ''se não'' da coisa.
Questiono-me porque raio aprovam o aborto, que não tem cabimento nenhum e que se trata de dignidade humana, e não aprovam o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Mas de que país estamos a falar? De Portugal. Então pronto, está explicado. (apesar de o rectângulo não ser o único na Europa e de não querer ser radical, nem extremista, nem nada do género, mas no nosso querido paízinho, não vejo as coisas a progredirem, desculpem...)

Outra questão é a questão da adopção. Esta sim, bem mais difícil e subjectiva. Ora vejamos... sinceramente, tenho muitas reservas em relação a isto, pois acho fundamental a presença da personagem feminina ou masculina na vida de uma criança. É de extrema importância que uma criança tenha em casa um exemplo de mãe e de pai, no total sentido do termo, como todos o conhecemos. É importantíssimo esse papel, até para a sua formação pessoal, até para, muitas vezes não ser vítima de discriminação por parte das outras crianças, problema cada vez mais comum. No entanto, também acho que muitos casais homossexuais podem muito bem tomar conta de uma criança. Educá-la, prepará-la para a vida, amá-la. Tudo o que um casal hetero faz, mas se calhar muito melhor, com outra perspectiva. Os meios estão todos à disposição, é só arranjar amor e possibilidade de o fazer. O que os senhores deputados usam como argumento é qualquer coisa como "O casamento tem como objectivo a procriação." Certo. Mas esquecem-se que cada vez mais as pessoas casam mais tarde, ou na melhor das hipóteses nem casam, e têm os filhos ainda mais tarde, sendo que muitos optam por não ter. Preferem a boémia (a dois). Então, só por isto, estão a anular o ''objectivo do casamento''. Temos pena, mas é como a coisa está a funcionar cada vez mais e o melhor mesmo é arranjarem [os deputados] outro argumento porque este, não cola.

Por isso, apenas posso dizer que se ambos os casos fossem transformados num referendo, votava SIM para o primeiro, sem a mais pequena dúvida, e quanto ao segundo provavelmente ia-me abster. Pelo menos até ter uma opinião clara do assunto...

8 comentários:

Anónimo disse...

Tenho mil razões para defender o sim e o não em qualquer das questões que levantas.
E nenhuma certeza.
Custa-me a imaginar convites para casamentos homossexuais. Custa-me imaginar as tias velhinhas a desejarem sorte. Custa-me imaginar os pais a dizerem às crianças de 5 anos que é permitido duas pessoas do mesmo sexo casarem-se.
Lamento se por instantes dizem "epá, mas tu não és o ultraliberal?". E respondo. Sim, mas estou apenas a ser sincero...

João Roque disse...

Dos três conceitos que focas, o único que não traz qualquer problema à sociedade é o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque é um direito tão basilar a qualquer ser humano, regularizar a sua vida afectiva, com vista a efeitos legais, que nem sequer deveria constituir problema.
O aborto é um assunto melindroso, pois toca conceitos de vida e religiosos; houve e a meu ver bem, um referendo, que aprovou e a meu ver, novamente bem a legalização do aborto até um período de grstação perfeitamente normal.
Já a adopção de crianças por casais do mesmo sexo pode trazer alguma controvérsia, mas é positiva: vale mais a pena dar uma vida condigna, um lar, a uma criança do que ela permanecer "orfã", e há decerto crianças mais bem tratadas por casais do mrsmo sexo do que algumas de sexo diferente, pois, como em tudo no mundo, há bons e maus pais adoptivos; o argumento de que a criança se traumatiza por não ter um pai ou uma mãe cai pela base, quando somos postos perante a realidade de ela perder por morte ou divórcio, algum dos seus projenitores biológicos; e não vejo qualquer problema em explicar a uma criança, melhor a todas as crianças o que é na realidade ser homossexual, pois assim a criança cresce sem mais um tabu, e é possivelmente menos um adulto homofóbico, que tristemente é o que mais se encontra neste país.
Beijo.

O Profeta disse...

Atravesso o céu em sonhos
Três aves do mar, três raios de sol, três punhais
Seguem-me apontados à solidão
Ah este vento que sopra nos brandais



Um feliz domingo para ti



Mágico beijo

Javier Santos disse...

Bem, este tema está a ficar como o Caso Maddie...muita água corre, muitas ideias...e já farta um bocado

1º Antes de aprovar qualquer lei, existe uma necessidade de apostar na educação do povo. Como todos nós sabemos o povo português é de tradições seculares. Depois disso temos de ver se será importante aprovar o casamento entre os homossexuais.

2º Esta lei serve para dar direitos (pois e as pessoas têm uma ideia errada dos direitos), civis aos casais (ex: fazer o irs como casal, pedir credito bancários como um casal, etc...) A questão não é o amor, porque se existe, não será uma lei que vai alterar..É tudo uma questão de direitos civil como casal...

3º Quanto a adopção...uiii tema muito muito complicado do qual eu não estou nada mas nada convencido que será uma boa opção...mas não quero criar mau estar com a minha opinião por isso guardo e respeito aqueles que têm uma opinião contrária


Finalmente, Marta quanto a questão de não ter sido aprovado...é tudo política e partidos, é mesmo assim

m disse...

Bf, não me custa imaginar-me a receber um convite para um casamento homossexual nem estes explicarem às crianças o que é a homossexualidade. Custa-me sim, tal como tu, imaginar as tias a desejarem sorte mas isso é uma questão de mentalidades, pois eu acho que o problema de muita gente é mesmo esse.
Ainda bem que és sincero ;)

Beijinho

m disse...

Pinguim, eu apenas sou a favor do aborto nos casos de violação, deficiência e perigo de vida tanto para a mãe como para o bebé. Caso contrário, sou contra porque acho que a criança não tem culpa da irresponsabilidade dos pais. É apenas o meu ponto de vista.
Quando digo que me ia abster no que toca à adopção é precisamente por causa do que tu referes que tem toda a lógica e como dizes só ia formar mais uma pessoa. No entanto, tal como referi no post é um assunto delicado e contigo sem ter uma única opinião..

Beijinho

m disse...

Profeta, obrigada pelo poema e bom domingo também para ti.

Beijinho

m disse...

Javier, concordo que este assunto não seja urgente pois tal como dizes é fundamental apostar noutros que possam ajudar o país a evoluir, como é o caso do teu exemplo.
É verdade que é tudo uma questão de direitos, mas direitos que a meu ver, não causam qualquer problema à sociedade e isto só faz juz ao ditado ''uns são filhos e outros são enteados''.
A adopção, como já disse, é uma questão delicada.

E sim, concordo que seja tudo política e partidos

Beijinho