
“Quem me dera ter vivido antes de nascer. No tempo dos meus pais. Talvez conseguisse entender o lado bom da droga.”
Daniel Oliveira, in 1 dose de droga… 1 grama de esperança?
O lado bom da droga… Há algum lado bom?! Às vezes dou comigo a pensar nestas ervinhas, neste pozinho que leva miúdos e graúdos a uma viagem dita excepcional, algo único que deixa apenas a vontade de repetir.
Mas a grande questão que fica a pairar no ar é “qual a necessidade de entrarem neste mundo?” Não sei. Talvez a fraqueza e a falta de autoconfiança e auto-estima para prosseguirem em frente…
“A minha mãe é uma mulher sofredora, que, de repente, se viu num labirinto para o qual não encontrou saída. A toxicodependência obrigou-a a deixar a vergonha num beco e a conduzir o seu destino pelas estradas da prostituição, com paragens diárias num ou mais sitos obrigatórios. Locais onde pudesse extrair com dinheiro, algum prazer, ou, pelo menos, algum remédio para as dores que não paravam de gritar. Desde manhã. Ter uma dose ao acordar era como apanhar o autocarro para o emprego. É essencial, senão não se chega lá. Uma dose de Heroína era o suficiente para ir ganhar dinheiro para mais Heroína. Um círculo vicioso, portanto. Do qual eu também fazia parte. Mentalmente.”
Daniel Oliveira, in 1 dose de droga… 1 grama de esperança?
Familiar ou não, amigo do peito, ou colega no futebol… é uma vivência marcante, certamente. Quando assistimos à dor, ao consumo da droga por parte de outro, é como se fossemos feitos de olhos que se arregalam aquando da ingestão desta “coisa”. A nossa cabeça gira, tudo à volta se transforma e ficamos petrificados para ver a reacção que provocará. O mais curioso é que os toxicodependentes ficam como apáticos. Completamente alheios ao que os rodeiam, interessando-se apenas pelo “seu mundo” que é cor-de-rosa (ou não), que é só e exclusivamente deles. Fecha-se a porta aos curiosos, amigos e família. Talvez seja nesse mundo que os sonhos se concretizam; que a felicidade permaneça constantemente na vida de quem os rodeia; talvez...
Mas essa visão só faz com que a ambição do consumo desta seja cada vez maior. O desejo e o sofrimento caminham assim, lado a lado. Tanto o deles como o nosso.
No entanto, temos que ter esperança e acreditar que o amanhã será muito melhor que o presente e que o passado. Temos que acreditar em nós, nas nossas capacidades e temos que enfrentar os problemas com um grande sorriso. É a maior vingança a todos aqueles que nos querem ver entre a espada e a parede e o maior triunfo a nós mesmos que podemos dar.
(Há diversas perspectivas/opiniões acerca deste assunto. Uma delas pode ser vista aqui )
Daniel Oliveira, in 1 dose de droga… 1 grama de esperança?
O lado bom da droga… Há algum lado bom?! Às vezes dou comigo a pensar nestas ervinhas, neste pozinho que leva miúdos e graúdos a uma viagem dita excepcional, algo único que deixa apenas a vontade de repetir.
Mas a grande questão que fica a pairar no ar é “qual a necessidade de entrarem neste mundo?” Não sei. Talvez a fraqueza e a falta de autoconfiança e auto-estima para prosseguirem em frente…
“A minha mãe é uma mulher sofredora, que, de repente, se viu num labirinto para o qual não encontrou saída. A toxicodependência obrigou-a a deixar a vergonha num beco e a conduzir o seu destino pelas estradas da prostituição, com paragens diárias num ou mais sitos obrigatórios. Locais onde pudesse extrair com dinheiro, algum prazer, ou, pelo menos, algum remédio para as dores que não paravam de gritar. Desde manhã. Ter uma dose ao acordar era como apanhar o autocarro para o emprego. É essencial, senão não se chega lá. Uma dose de Heroína era o suficiente para ir ganhar dinheiro para mais Heroína. Um círculo vicioso, portanto. Do qual eu também fazia parte. Mentalmente.”
Daniel Oliveira, in 1 dose de droga… 1 grama de esperança?
Familiar ou não, amigo do peito, ou colega no futebol… é uma vivência marcante, certamente. Quando assistimos à dor, ao consumo da droga por parte de outro, é como se fossemos feitos de olhos que se arregalam aquando da ingestão desta “coisa”. A nossa cabeça gira, tudo à volta se transforma e ficamos petrificados para ver a reacção que provocará. O mais curioso é que os toxicodependentes ficam como apáticos. Completamente alheios ao que os rodeiam, interessando-se apenas pelo “seu mundo” que é cor-de-rosa (ou não), que é só e exclusivamente deles. Fecha-se a porta aos curiosos, amigos e família. Talvez seja nesse mundo que os sonhos se concretizam; que a felicidade permaneça constantemente na vida de quem os rodeia; talvez...
Mas essa visão só faz com que a ambição do consumo desta seja cada vez maior. O desejo e o sofrimento caminham assim, lado a lado. Tanto o deles como o nosso.
No entanto, temos que ter esperança e acreditar que o amanhã será muito melhor que o presente e que o passado. Temos que acreditar em nós, nas nossas capacidades e temos que enfrentar os problemas com um grande sorriso. É a maior vingança a todos aqueles que nos querem ver entre a espada e a parede e o maior triunfo a nós mesmos que podemos dar.
(Há diversas perspectivas/opiniões acerca deste assunto. Uma delas pode ser vista aqui )
“M: (…) Fomos para uma pensão e o cego deu-me um envelope, com dinheiro que tinha ganho durante o mês e disse-me: - Tira aquilo que pediste… (…)”
“E o dinheiro nem sequer era para comer, raramente o foi. (…) O corpo estava cheio pelo sangue que corria na droga.”
“A partir do momento em que a droga chega ao cérebro, os toxicodependentes tornam-se acósmicos, metem-se num avião e viajam para o mundo onde tudo é perfeito, perdendo a noção do que os rodeia no mundo real. Não foram poucas as vezes em que eu próprio fui o auxílio dos meus pais para se drogarem.”
“A minha mãe é uma sobrevivente.”
“Eu podia fazer um jornal. A ideia era arriscada, mais ainda se tivermos em conta que tinha apenas 13 anos (…). Mas sentia (…) a necessidade de fazer uma coisa diferente, onde pudesse demonstrar que era capaz de ser mais forte do que o meu passado.”
“1 dose de droga 1 grama de esperança?” é um livro cujo título também poderia ser “Miséria e Dignidade” devido a todo o percurso que o autor, desde muito cedo, teve que passar e também devido à luta constante que foi. Uma autêntica batalha surda sem vencidos. No entanto venceu com muita dignidade. Daniel Oliveira viu bem de perto a destruição dos seus pais e mesmo assim nunca virou as costas à vida. É digno de todo o êxito que este livro teve/tem. De igual forma é alvo de admiração da minha parte.
Um livro que se lê de uma assentada. Somos, inconscientemente, envolvidos numa emoção enorme que faz com que entremos naquelas páginas e vivamos o mesmo que o autor viveu.
"O exemplo de um jovem que se libertou de uma infância difícil"
Daniel Oliveira: “1 dose de droga… 1 grama de esperança?”

10 comentários:
realmnt é incompreensivel pelo menos por mim.. as razões que levam uma pessoa a ir pelo caminho da droga.. enfim..
mas nao podemos julgar as situaçoes dos outros.. por mais que digamos que nunca vams fazer isto mesmo que.. qualquer coisa aconteça.. we never know.. do we?
beso marta @
A base de uma boa revolta contra a droga,é força de vontade,a cima de tudo!
Adoro esta publicação Martinha! :D
Alias,como todas as outras!
Bjão*
excelente critica
eu li o livro à algum tempo, e tocou-meprofundamente!
a força que o ser humano demontra, ao lado das suas fraquezas... fez-me reflectir!
aconselho vivamente a todos a sua leitura!
bela partilha marta ;) ****
Bela crítica e excelente, embora muito trabalhosa,calculo, entrevista (link)
Excelente blog também
Muito obrigada ;)
Não sei que dizer :s. Eu acho que é um tamanho desespero entrar nesse mundo! Nao seii .. E aqueles que ''experimentam só por experimentar'' sim ! Pq nao podemos esqece-los! Supostamente era so pra experimentar e dps acabam vidrados no mundo da droga :x .. Com a informação q há hoje em dia, só experimenta quem qer :).
Mas tbem ha aqueles que põem na bebida dos outros. Omg, por mais q tente nao percebo :x
Ly @
Lamentavelmente aindanão se porpocionou a leitura deste livro k é como se fosse um espelho da minha vida, com a diferença de eu ser a toxicodependente e os meus pais a base de todo o apoio para a minha recuperaçao.... Tenho 24 anos, sou estudante universitária e estive "agarrada", peço desculpa pelo termo, à heroína durante dois anos... Durante esse tempo posso dizer que não vivi, sobrevivia a cada dia...
Hoje posso dizer, que estou limpa, ainda em recuperação mas livre de um inferno...graças à família e amigos maravilhosos que tenho na minha vida...
Apenas deixo aqui este comentário e um desabafo porque magoa me que muitas pessoas vejam os toxicodependentes como lixo da sociedade e que ainda pensem que é bem feito o sofrimento pelo qual passam porque hoje em dia há informação e só se mete quem quer...isso também é verdade mas lembrem-se que há sempre outros motivos que estão por trás,e que a droga muitas das vezes é vista como um escape da realidade em que se vive por vezes...e realmente sabemos o que é, mas só temos a noção do quanto ruim é, depois de já estarmos dependentes dela.
Obrigada e desculpe o desabafo... tudo de bom para si e parabéns pelo blog...tá fantastico... mais uma vez obrigada e desculpe
Lamentavelmente aindanão se porpocionou a leitura deste livro k é como se fosse um espelho da minha vida, com a diferença de eu ser a toxicodependente e os meus pais a base de todo o apoio para a minha recuperaçao.... Tenho 24 anos, sou estudante universitária e estive "agarrada", peço desculpa pelo termo, à heroína durante dois anos... Durante esse tempo posso dizer que não vivi, sobrevivia a cada dia...
Hoje posso dizer, que estou limpa, ainda em recuperação mas livre de um inferno...graças à família e amigos maravilhosos que tenho na minha vida...
Apenas deixo aqui este comentário e um desabafo porque magoa me que muitas pessoas vejam os toxicodependentes como lixo da sociedade e que ainda pensem que é bem feito o sofrimento pelo qual passam porque hoje em dia há informação e só se mete quem quer...isso também é verdade mas lembrem-se que há sempre outros motivos que estão por trás,e que a droga muitas das vezes é vista como um escape da realidade em que se vive por vezes...e realmente sabemos o que é, mas só temos a noção do quanto ruim é, depois de já estarmos dependentes dela.
Obrigada e desculpe o desabafo... tudo de bom para si e parabéns pelo blog...tá fantastico... mais uma vez obrigada e desculpe
Anónimo,
obrigada pelo seu comentário e não tem que pedir desculpa pelo desabafo. Compreendo a sua revolta mas de dia para dia, parece-me (Parece-me!) que a questão da droga é vista com os outros olhos.
Espero que a recuperação esteja a produzir bons resultados e mando um grande beijinho de força!
Obrigada :)
Beijinho grande
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