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Há homens que nascem à revelia dos mapas. Antes mesmo de o saberem ou de serem encontrados, aceitam um pacto vitalício com a eternidade. São os arquitectos do porvir. Erguem cidades entre a glória e a queda, e constroem-nas sempre acima do chão, na esperança de adiar o pó com a beleza. Nascem para o sonho sem sono de as construir. «Homens que são como lugares mal situados» escreveu Daniel Faria, poeta luminoso que a fatalidade cedo quis calar, mas que ainda hoje respira dentro de versos sem raízes terrenas.
É por isso que nunca os soube situar nos lugares externos. Penso que, desde cedo, oscilo entre a veemência de uma vida interior demasiado grande, e a exiguidade das concretizações que alcanço. As quimeras não conhecem proporções reais, e é certo que não estão vedadas glórias cimeiras àqueles a quem o engenho e a arte ensinaram a mover. Mas é este o maior desequilíbrio daquele que almeja, esculpe e contempla a obra, porque sente que lhe foi legado, não sabe porquê, como ou quando, um fardo que assume como missão. E que a hipotética obra, a existir, receberá um dia o seu nome vão.
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7 comentários:
Parece mesmo valer a pena esse livro :D parabéns à Joana A.
Beijinhos
Hoje realço sobretudo a quietude desta música tão bela...
Beijinhos.
Não te posso dizer o que significa para mim, neste momento, teres-me citado. Mas acredita que revolveste por dentro. Faz-me tanta falta, a poesia...
Grande, grande beijo.
E o Yann Tierson como som de fundo... ai Marta, tocaste-me fundo!
Palavras que iluminam =) obrigado pelo teu comentário*
Biju*
Bela citação...
Beijos..
Escolha maravilhosa!!!
tanto o texto da minha princesa, como a música!!! é das minhas músicas preferidas para ver o pôr do sol!=)
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